Casas Bahia (BHIA3) alonga dívida com nota comercial de R$ 1,4 bilhão; entenda
A Casas Bahia (BHIA3) informou ao mercado que recebeu compromisso firme de uma instituição financeira parceira para a subscrição de nota comercial no valor de R$ 1,4 bilhão, com prazo de dois anos.
De acordo com o comunicado, o destino dos recursos será a liquidação de operações de risco sacado atualmente mantidas com a instituição financeira, resultando na substituição de passivos de curto prazo por uma estrutura de financiamento com prazo mais alongado.
O risco sacado é uma operação financeira em que bancos pagam os fornecedores e posteriormente a varejista paga o banco. Na prática, a companhia conseguiu um financiamento para reorganizar dívida existente com a instituição financeira, que não foi especificada no anúncio.
“A operação está alinhada à estratégia da companhia de gestão ativa de passivos e otimização de sua estrutura de capital, contribuindo para: alongamento do perfil de vencimento das obrigações financeiras; maior previsibilidade na gestão de liquidez; e otimização das fontes de financiamento de capital de giro”, diz a Casas Bahia.
A companhia ressalta que a operação não representa aumento estrutural de endividamento, tratando-se apenas de um reperfilamento de passivos existentes, em linha com as iniciativas de fortalecimento da estrutura financeira conduzidas no âmbito do plano de transformação.
4T25 da Casas Bahia
A varejista teve prejuízo líquido de R$ 1,529 bilhão no quarto trimestre de 2025, refletindo principalmente uma provisão de Imposto de Renda diferido de R$ 1,45 bilhão, em período também marcado por forte queda no endividamento e expansão de receitas e margens.
O diretor financeiro da varejista, Elcio Ito, afirmou que a provisão ocorreu após a companhia realizar testes de estresse, dado o contexto geopolítico e os potenciais riscos para a inflação e as taxas de juros, entre outras variáveis macroeconômicas.
Após os testes, “por prudência e conservadorismo”, a empresa decidiu fazer a provisão, afirmou à Reuters, ressaltando que a provisão não tem efeito caixa e econômico, e que se trata de uma ação mirando um cenário de estresse, de quadro macroeconômico mais adverso.
Excluindo essa provisão, a Casas Bahia teve prejuízo de R$ 79 milhões, após uma perda de R$ 452 milhões um ano antes, com o balanço ainda mostrando despesas com vendas, gerais e administrativas da ordem de R$ 1,9 bilhão (+0,4%) e um resultado financeiro negativo de R$ 557 milhões no período.
A despesa financeira, porém, caiu ante os mesmos meses de 2024 (-R$ 921 milhões), em trimestre marcado pela finalização da reestruturação no perfil de endividamento da companhia no final de 2025, que fez a dívida líquida ajustada cair a R$ 1,13 bilhão, de R$ 4,48 bilhões no trimestre anterior.
*Com informações da Reuters