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Cooperação entre a China e América Latina é debatida em Pequim

Ana Cristina Campos – Enviada especial da Agência Brasil*

Especialistas de diversas áreas se reuniram nesta semana em Pequim para discutir o aprofundamento de mecanismos de cooperação entre a China e América Latina. Eles participaram do Diálogo de Jovens Pesquisadores China-América Latina 2017 e do 4º Fórum Sino-Latino-Americano de Jovens Líderes.

O diretor executivo do Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Zhou Zhiwei, acredita que os países devem priorizar a integração econômica e comercial, mas argumentou que muitas nações Latino-americanas não têm políticas claras em relação à China, o que traria desafios para uma efetiva cooperação.

Na avaliação do diretor de pesquisas do Centro de Estudos Internacionais Gilberto Bosques do Senado mexicano, Arturo Magaña Duplanher, a América Latina precisa construir uma política estratégica voltada para a China, segunda potência econômica mundial, para que a relação seja menos assimétrica. O analista defendeu o fortalecimento da indústria na região de forma que os países fiquem menos dependentes da exportação de commodities.

Relação Brasil-China

O doutorando em economia política internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Bruno Hendler, argumenta que há que se ter “cautela” com o discurso da diplomacia chinesa da cooperação com benefícios mútuos já que se trata de uma relação “inevitavelmente assimétrica”. Para ele, no entanto, é possível negociar e buscar ganhos absolutos para o Brasil e para a América Latina no relacionamento com o país asiático.

De acordo com Hendler, a relação com a China, que até os anos 2000 era essencialmente comercial, ficou muito mais complexa. “Essa complexidade agora se dá porque tem um ‘pacote China’, em que, além do comércio bilateral, há investimento externo direto, investimento de empresas públicas chinesas nos setores de mineração, energia e alimentos e internacionalização do renminbi [a moeda chinesa] para facilitar as trocas e serviços financeiros”.

Para a professora de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas) Kelly Ferreira, uma política de cooperação com ganhos mútuos poderia beneficiar o Brasil caso a política externa brasileira tivesse uma estratégia eficiente para lidar com a China. “Essa falta de preparo faz com que no nosso caso a gente saia perdendo porque não é o Brasil que vende para a China, é a China que vai comprar do Brasil”, ponderou.

O estudante de doutorado de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), André Mendes Pini, avalia que a saída dos Estados Unidos de acordos multilaterais, como a Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) e o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, abre uma janela de oportunidades no sistema internacional que a China está empenhada em aproveitar.

Para Pini, o Brasil poderia se beneficiar desse contexto para alavancar a parceria com a China caso o país não estivesse passando por um “período conturbado na política interna” que acaba, segundo ele, interferindo na projeção externa brasileira.


*A repórter viajou a convite do Centro de Imprensa China-América Latina e Caribe


 

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