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Saudi Aramco capta US$ 25,6 bilhões em maior IPO do mundo

06/12/2019 - 12:36
Anúncio de IPO da petroleira Saudi Aramco em Dhahran, Arábia Saudita
Sugerida pela primeira vez pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman em 2016, com a ambição de levantar até US$ 100 bilhões, a oferta de ações foi promovida como parte de um plano B após a era do petróleo (Imagem: REUTERS/Hamad I Mohammed)

A oferta pública inicial da Saudi Aramco, a maior do mundo, é um divisor de águas para uma empresa que financia o reino e seus governantes há décadas. A maior empresa de capital aberto mundo agora será negociada em Riad, e não em Nova York.

Mas ainda não está claro até que ponto a empresa vai ajudar a transformar a economia do maior exportador de petróleo do mundo.

Sugerida pela primeira vez pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman em 2016, com a ambição de levantar até US$ 100 bilhões, a oferta de ações foi promovida como parte de um plano B após a era do petróleo. A Arábia Saudita levantaria fundos de seu maior ativo e usaria os recursos para desenvolver novos setores.

Mas, depois que os investidores globais se recusaram em avaliar a empresa em US$ 2 trilhões, o negócio final não foi exatamente o que o príncipe havia imaginado. A Aramco ofereceu apenas 1,5% de suas ações e optou por uma listagem local, contando quase inteiramente com investidores sauditas e regionais.

E, embora os recursos de US$ 25,6 bilhões superem o IPO de 2014 do gigante chinês da Internet Alibaba, é improvável que o valor tenha grande impacto numa economia de US$ 780 bilhões.

“É difícil ver como esse nível de subscrição pode ser repetido para levantar o tipo de receita exigida pelo Vision 2030”, disse Bill Farren-Price, consultor do RS Energy Group. “E a diversificação econômica saudita precisará de muito mais que isso.”

A oferta é a primeira grande venda de ativos estatais como parte de um plano para capacitar o setor privado e atrair investimento estrangeiro direto, em queda desde a desvalorização dos preços do petróleo em 2014.

O IPO de fato “fornece munição para apoiar os investimentos à medida que entram na fase principal da construção, mas, por si só, não é suficiente”, disse Monica Malik, economista-chefe do Abu Dhabi Commercial Bank e que acompanha a economia saudita há muito tempo. “A qualidade dos gastos permanece crítica: quanto será gasto internamente, com que eficácia será implantado.”

Os recursos serão transferidos para o Fundo de Investimento Público, que realizou vários investimentos ousados, como os US$ 45 bilhões no Vision Fund, do SoftBank, com uma participação de U$ 3,5 bilhões no Uber Technologies.

Na Arábia Saudita, o fundo soberano está financiando megaprojetos para desenvolver centros turísticos ao longo do Mar Vermelho e em outras regiões.

Mas o fundo também foi criticado por ajudar empresas privadas em projetos de menor porte. O plano para uma cidade futurista de US$ 500 bilhões anunciado em 2017 despertou o receio de que o príncipe possa acabar investindo mais em empreendimentos vaidosos.

Os recursos do IPO “devem ser investidos em projetos domésticos, com grande conteúdo local, evitando os elefantes brancos”, segundo Ziad Daoud, economista-chefe para Oriente Médio da Bloomberg Economics.

A gigante de petróleo estatal fixou o preço final das ações em 32 riais (US$ 8,53), avaliando a empresa mais rentável do mundo em US$ 1,7 trilhão. A petroleira recebeu lances totais de US$ 119 bilhões.

A Aramco se tornará a empresa de capital aberto mais valiosa do mundo assim que começar a ser negociada na quarta-feira, ultrapassando a Microsoft e a Apple.

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Última atualização por Vitória Fernandes - 06/12/2019 - 12:36