Informação desproporcional gera instabilidade

As mulheres querem mais dinheiro, sim!

Evelin Bonfim Ribeiro é coach financeira. Você pode segui-la no Instagram: @coach_evelin

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Robin Wright exigiu o mesmo salário de Kevin Spacey na série House of Cards

"Ter sucesso financeiro é uma meta da qual as mulheres precisam parar de se envergonhar". Essa frase não é minha - gostaria que fosse. É da consultora Denise Damiani, autora do livro Ganhar Mais, Gastar Menos e Investir Melhor, voltado ao público feminino. Recomendo a leitura a todas, em qualquer faixa etária, seja qual for a situação financeira, de endividada a investidora. Se não puder ler, apegue-se à frase acima e reflita: o que ainda “segura” as mulheres lá atrás quando se trata de dinheiro?

Minha experiência como coach financeira me ajuda a levantar algumas suposições. Uma delas é a de que nós, mulheres, ainda achamos que nosso futuro financeiro será cuidado por alguém. É difícil assumir isso em voz alta, confesso. Mas até mesmo as que são bem sucedidas na carreira e já ganham razoavelmente bem, tendem a achar que não precisam "se preocupar" com dinheiro. Como se isso fosse algo menor, mesquinho, ganancioso, interesseiro.

Só que não é. E precisamos nos livrar dessa crença o quanto antes!

Um tempo atrás, ficou famosinha uma entrevista da Robin Wright (a Claire Underwood, de House of Cards) dizendo que impôs à produção do seriado que seu salário se equiparasse ao do Kevin Spacey (Frank Underwood). Quem acompanha a série sabe que a personagem da Claire foi crescendo ao longo das temporadas e agora ambos têm a mesma importância, dividindo o protagonismo. Então porque diabos a Robin ganharia um salário menor que o do Kevin?

Observe que possivelmente a Robin não "precisa" ganhar mais (uso aqui todas as aspas possíveis). Mas essa exigência tem um papel muito simbólico - para Hollywood e para o mundo.

Nós precisamos ganhar mais SIM. Precisamos parar de achar que isso é "feio". Precisamos nos impor na carreira, no mercado, nos relacionamentos. Precisamos assumir o protagonismo da nossa vida financeira. Parar de terceirizar, de transferir a responsabilidade, de inventar justificativas, de aguardar alguma mágica acontecer. Tem que aprender, suar, correr atrás. Nada que já não estejamos acostumadas a fazer - feliz ou infelizmente - em todos os demais terrenos de nossa vida nessa sociedade machista.

Já avançamos muito, ainda bem. Muitas mulheres lutaram e ainda lutam bastante para que pudéssemos ocupar alguns dos lugares onde já estamos. Mas quando vejo que, entre os investidores do Tesouro Direto, apenas 24% são mulheres (dados do Tesouro Nacional - dez/2016) vejo que temos muito caminho pela frente (já fica a dica subliminar para você não deixar mais seu dinheiro na poupança! Pelo amor da deusa!!!).

Tenho a ousada pretensão de que esse curto texto inspire o maior número de mulheres a tomar as rédeas do próprio dinheiro. Entender um mínimo sobre finanças, aprender sobre investimentos. Ano que vem quero essa estatística melhor, hein? We can do it :)


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