Informação independente faz a diferença

“Quem entende do assunto não contestou", diz Luiz Cezar Fernandes sobre artigo

Dinheiro
Artigo de Fernandes foi lido como um alerta para um possível confisco dos investimentos

Um artigo de Luiz Cezar Fernandes, fundador do antigo Pactual e sócio de Jorge Paulo Lemann no Garantia, provocou alvoroço no debate a respeito da trajetória das contas públicas. O texto “Aperte o bolso: o calote vem aí” prevê que o crescimento da dívida pública atingirá 100% do PIB em 2019. O banqueiro, hoje sócio da GRT Partners, falou sobre o assunto e a repercussão em conversa com o Money Times na noite de quinta-feira (31).

“Há quem distorça o que dissemos, mas quem entende do assunto não contestou, nem economista, nem político”, diz Fernandes. Segundo ele, pessoas apontaram para 90% do PIB em 2019. “Isso para 100% é a mesma coisa. Mesmo assim eu sou mais 100% do que 90%."

Gostou desta notícia? Receba nosso conteúdo gratuito

Crescendo ano a ano, a dívida pública alcançou o equivalente a 70% do PIB ao fim de 2016 e agora se aproxima de 75% do PIB. "A aceleração da divida é exponencial porque a base sempre é maior. Crescer 10% de 10 é uma coisa, agora crescer 10% de 100 é outra coisa. Nossa base está muito alta, e qualquer porcentagem em cima alavanca muito rápido. Vamos chegar no próximo governo já beirando os 100%, certamente”, avalia o banqueiro.

O remédio contra o calote passa pela agenda de reformas estruturais, notadamente a da Previdência. Fernandes, porém, duvida de qualquer êxito a curto prazo por conta da ausência de líderes políticos capazes de tocar o barco. "Precisamos de uma liderança forte e carismática, mas estamos desfalcados, não vejo ninguém com condições de puxar o carro.”

Para o sócio da GRT Partners, Michel Temer não avançará nas reformas que propôs, embora conseguirá se equilibrar na corda bamba até o fim do mandato. Quanto às eleições, Luiz Cezar Fernandes espera a ascensão de algum candidato de terceira via, ao estilo Emmanuel Macron na França, situado entre a polarização da esquerda versus direita.

"Não fazemos nada pelo amor, só pela dor. Não vamos para o céu nunca, nem vai para o inferno nunca. A minha esperança é que em algum momento os políticos vão se assustar e não vão deixar a gente cair no poço. O problema é que eles não têm percepção de que estamos à beira do abismo.”

Na noite de quinta-feira, o governo enviou ao Congresso uma proposta orçamentária de déficit de R$ 129 bilhões no ano que vem, entretanto a equipe econômica já definiu uma meta de déficit de R$ 159 bilhões - ainda não aprovada pelo Congresso.

“Os R$ 159 bilhões não serão suficientes. O numero que precisamos é em torno de R$ 170 bilhões e R$ 180 bilhões. Teremos de voltar à mesa de novo. Não cortamos na carne e carga fiscal não é possível aumentar. Como cobriremos déficit se não tem fiscal? Fazendo dívida”, afirma o fundador do Pactual.


 

Últimas Notícias