2026 será de ajustes de carteira e oportunidades com juros menores, diz sócio da The Hill Capital; veja estratégias
A proximidade do início do ciclo de corte de juros no Brasil muda diretamente a lógica de alocação, disse o sócio da The Hill Capital Marcelo Bolzan, durante o evento Onde Investir em 2026, promovido pelo Seu Dinheiro, portal do mesmo grupo que o Money Times.
Durante um dos painéis, o gestor destacou que o investidor ficou muito tempo concentrado em CDI e pós-fixados e que, com a queda dos juros, essa estratégia passa a entregar retornos menores. Por isso, na avaliação dele, agora é o momento de ajustar o portfólio, antes que o ciclo de cortes comece de forma efetiva.
Na renda fixa, Bolzan afirmou que a estratégia passa por alongar prazos em títulos indexados à inflação, especialmente com vencimentos entre sete e dez anos, como forma de travar bons ganhos reais. Já nos pré-fixados, ele disse preferir prazos mais curtos, entre três e quatro anos, onde ainda é possível garantir taxas atrativas.
O sócio da The Hill Capital destacou que a bolsa brasileira deve se beneficiar do novo cenário e que a exposição ao mercado acionário local vem sendo ampliada nos últimos meses. Segundo ele, a alta de 34% registrada pela bolsa em 2025 já reflete, em parte, a antecipação do mercado em relação à queda dos juros, mas o cenário segue construtivo.
Na avaliação dele, o cenário mais provável é que o Banco Central inicie o processo de cortes no primeiro trimestre, possivelmente em março, levando a Selic dos atuais 15% para perto de 12% ao final do ano.
Bolzan ainda avaliou que o investidor brasileiro concentra grande parte do patrimônio no mercado doméstico e que, em um ano de eleições, essa estratégia aumenta o risco. Segundo ele, manter parte dos recursos no exterior, em moeda forte, funciona como proteção adicional e melhora o equilíbrio da carteira.
Para o gestor 2026 deve ser um ano de volatilidade elevada, especialmente por conta do calendário eleitoral, mas também de boas oportunidades de investimento.
Na bolsa brasileira, Bolzan disse esperar um ambiente construtivo, apoiado pela redução dos juros, por valuations ainda atrativos e pelo fluxo de investidores estrangeiros.
Já no exterior, ele avaliou que o cenário dos Estados Unidos segue positivo, com crescimento econômico acima de 2% e perspectiva de cortes de juros, o que sustenta a alocação em ações americanas e em renda fixa global.
Alocações por perfil
Para um perfil intermediário, a recomendação atual é de 70% em renda fixa, segundo o gestor. Dentro desse percentual, cerca de 30% ficariam em pós-fixados, com foco em liquidez e oportunidades, outros 30% em papéis indexados à inflação e 10% em pré-fixados.
Os 30% restantes do portfólio, segundo Bolzan, representam a parcela de risco. Desse total, metade deve ser destinada a produtos multimercados, que combinam estratégias em renda fixa, bolsa, moedas e commodities, e os outros 15% à bolsa brasileira. Ele ressaltou que os multimercados tiveram desempenho fraco em anos anteriores, mas voltaram a performar melhor recentemente, oferecendo flexibilidade relevante para a gestão do portfólio.
No caso da alocação internacional, Bolzan afirmou que a recomendação atual é de cerca de 20% do portfólio total aplicado no exterior. A estratégia combina renda fixa global — aproveitando juros ainda elevados, com destaque para os bonds americanos — e exposição à bolsa dos Estados Unidos, onde ele enxerga as principais oportunidades.
Para perfis mais conservadores, Bolzan explicou que a parcela em renda fixa sobe para 90%, com apenas 10% em ativos de risco, divididos igualmente entre multimercados e bolsa brasileira.
Mesmo no perfil conservador, o sócio da The Hill Capital enfatizou a importância de estratégias internacionais, ainda que concentradas em renda fixa. Segundo ele, é possível replicar no exterior a mesma lógica de alocação adotada no mercado local, respeitando o perfil de risco do investidor.
Já para investidores mais arrojados, a alocação sugerida é de 50% em renda fixa, 25% em multimercados e 25% em ações.
Bolzan também chamou atenção para a necessidade constante de rebalanceamento das carteiras. Ele explicou que movimentos fortes de mercado, como a alta expressiva da bolsa, tendem a desequilibrar a alocação original, exigindo ajustes periódicos.
Na avaliação dele, o retorno de longo prazo dos portfólios é majoritariamente explicado pela alocação estratégica entre classes de ativos, enquanto a escolha pontual de produtos e o momento de entrada têm peso bem menor.