Taxa Selic

Selic a 15%: 4 pontos para entender por que o Copom manteve os juros pela 5ª vez consecutiva

28 jan 2026, 18:55 - atualizado em 28 jan 2026, 18:55
Economia, taxa Selic, Copom, Banco Central, inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve os juros inalterados em 15% ao ano. Entenda o movimento em 4 pontos (Imagem: iStock/ Rmcarvalho/Canva)

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (28), no maior nível da taxa básica de juros desde meados de 2006. Essa foi a quinta manutenção consecutiva e em linha com o esperado pelo mercado.

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Na última atualização, com data de referência de ontem (27), o contrato de Opções de Copom da B3 apontava a chance de 81% de o Banco Central (BC) manter os juros inalterados.

A decisão do colegiado foi unânime e o Comitê sinalizou um possível corte nos juros na próxima decisão, em março.

“O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% ao ano, e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o comunicado.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, acrescentou.

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🔴ESPECIAL COPOM: Acompanhe a decisão de juros no Brasil e nos EUA

Selic a 15%: Entenda a decisão do Copom

Internacional

No comunicado, o Copom reforçou o ambiente externo “ainda se mantém incerto” em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.

“Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”, diz o comunicado.

Economia brasileira

Em relação ao cenário doméstico, os diretores do Banco Central ressaltaram que o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando, conforme esperado, trajetória de trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência.

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O BC também reconheceu que a inflação continua a dar sinais de desaceleração. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentamdo algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz o Copom.

O colegiado ainda mencionou que as expectativas de inflação do mercado permanecem acima da meta do BC e das projeções da autarquia.

“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência.”

O comunicado acrescenta que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual.

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Entre os riscos de alta destacam-se:

  • desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado;
  • maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e
  • conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Já entre os riscos de baixa para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, os diretores do Copom consideram:

  • uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
  • uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e
  • uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

Corte da Selic em março

O Copom sinalizou um possível início de afrouxamento monetário na próxima decisão do colegiado.

Segundo o comunicado, o Comitê manteve a avaliação de que a estratégia em curso, de manter os juros elevados, tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

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Mas “em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, destacou o comunicado.

Segundo o Copom, a magnitude e o ritmo de cortes dependerão da “evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.

Decisão unânime

Segundo o comunicado, os dirigentes do Banco Central entraram em consenso e a decisão foi novamente unânime.

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Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton Schneider, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira votaram pela manutenção dos juros em 15% ao ano.

Veja o comunicado do Copom

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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