Selic a 15%: 4 pontos para entender por que o Copom manteve os juros pela 5ª vez consecutiva
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (28), no maior nível da taxa básica de juros desde meados de 2006. Essa foi a quinta manutenção consecutiva e em linha com o esperado pelo mercado.
Na última atualização, com data de referência de ontem (27), o contrato de Opções de Copom da B3 apontava a chance de 81% de o Banco Central (BC) manter os juros inalterados.
A decisão do colegiado foi unânime e o Comitê sinalizou um possível corte nos juros na próxima decisão, em março.
“O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% ao ano, e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o comunicado.
“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, acrescentou.
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Selic a 15%: Entenda a decisão do Copom
Internacional
No comunicado, o Copom reforçou o ambiente externo “ainda se mantém incerto” em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.
“Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”, diz o comunicado.
Economia brasileira
Em relação ao cenário doméstico, os diretores do Banco Central ressaltaram que o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando, conforme esperado, trajetória de trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência.
O BC também reconheceu que a inflação continua a dar sinais de desaceleração. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentamdo algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, diz o Copom.
O colegiado ainda mencionou que as expectativas de inflação do mercado permanecem acima da meta do BC e das projeções da autarquia.
“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência.”
O comunicado acrescenta que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual.
Entre os riscos de alta destacam-se:
- desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado;
- maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e
- conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Já entre os riscos de baixa para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, os diretores do Copom consideram:
- uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
- uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e
- uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
Corte da Selic em março
O Copom sinalizou um possível início de afrouxamento monetário na próxima decisão do colegiado.
Segundo o comunicado, o Comitê manteve a avaliação de que a estratégia em curso, de manter os juros elevados, tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
Mas “em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, destacou o comunicado.
Segundo o Copom, a magnitude e o ritmo de cortes dependerão da “evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
Decisão unânime
Segundo o comunicado, os dirigentes do Banco Central entraram em consenso e a decisão foi novamente unânime.
Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton Schneider, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira votaram pela manutenção dos juros em 15% ao ano.