A curiosa e oculta história de um ícone liberal
Quem lê o celebrado “O Chamado da Tribo”, de Mario Vargas Llosa — autor peruano morto em 2025 e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura — nem imagina sua história.
É que neste livro, Vargas Llosa se firma como um dos principais pensadores liberais latino-americanos. “Talvez o mais importante dessas páginas seja o enaltecimento de uma sociedade em que o Estado é pequeno e funcional porque deixa os cidadãos trabalharem incrementando a riqueza, beneficiando o conjunto social”, diz em um trecho da obra.
O liberalismo defendido pelo escritor, inclusive, o fez tecer críticas ao então candidato a reeleição à presidência Jair Bolsonaro: “as palhaçadas de Bolsonaro são muito difíceis de se admitir para um liberal”, mas afirmar preferi-lo em relação a Lula em 2022, “entre Bolsonaro e Lula, prefiro Bolsonaro, desde já. Com as palhaçadas de Bolsonaro. Lula, não.”
Mas a história de envolvimento político de Vargas Llosa começa bem mais à esquerda. Ele era próximo a nomes como Fidel Castro e apoiador da revolução cubana.
Até que surgiu um poeta. Heberto Padilla, que chegou a ser vice-ministro de Comércio Exterior de Cuba. Em determinado momento, Padilla teceu críticas à política cultural de Fidel Castro. Bastou para que fosse atacado pela imprensa e preso sob a acusação de ser um agente da CIA.
Mario Vargas Llosa saiu em defesa do poeta e reuniu um “dream team” da época para redigirem uma carta de protesto: Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e Carlos Fuentes. Foram acusados por Fidel Castro de estarem “a serviço do imperialismo”.
A desilusão levou o escritor a olhar para o outro lado. E, sem abandonar a agenda política, Vargas Llosa foi mudando de lado. E aos poucos se consolidou como um liberal.
“Em sociedades tão desiguais quanto às do terceiro mundo os filhos das famílias mais prósperas gozam, sem dúvida, de oportunidades imensamente maiores para ter sucesso na vida que os das famílias pobres. Por isso é tão importante para o liberalismo oferecer a todos os jovens um sistema educacional de alto nível que garanta um ponto de partida comum em cada geração.”
O Chamado da Tribo
Autor: Mario Vargas LLosa
Editora: Objetiva
Nota na Amazon: 4.6