Federal Reserve

À espera do Fed: inflação, emprego e PIB dão pistas sobre o futuro dos juros nos EUA

17 jun 2026, 8:00 - atualizado em 16 jun 2026, 16:45
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(Imagem: REUTERS/Jonathan Ernst)

A decisão de juros do Federal Reserve desta quarta-feira (17) deve manter os investidores globais em compasso de espera. A expectativa amplamente majoritária do mercado é de manutenção da taxa básica americana no intervalo entre 3,50% e 3,75%, mas as atenções estarão voltadas para o comunicado, as projeções econômicas atualizadas e, principalmente, o novo dot plot, que poderá oferecer pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária.

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Apesar da expectativa de estabilidade nesta reunião, os investidores ainda não descartam a possibilidade de novos aumentos de juros até o fim do ano, especialmente diante da persistência da inflação acima da meta e da resiliência da economia americana.

O encontro também marca a estreia de Kevin Warsh na presidência do Fed, o que adiciona um elemento extra de atenção ao mercado. Os agentes buscam sinais sobre como o novo comando pretende conduzir a política monetária em um ambiente de inflação ainda elevada e atividade econômica robusta.

Desde a última reunião da autoridade monetária, os principais indicadores econômicos reforçaram a percepção de que a economia dos Estados Unidos segue mostrando resistência aos juros elevados.

Payroll surpreende e reforça força do mercado de trabalho

O dado mais acompanhado pelo Fed, o relatório de emprego dos Estados Unidos, mostrou uma aceleração do mercado de trabalho em maio.

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A economia americana criou 172 mil vagas no mês, acima das expectativas dos economistas, que projetavam a abertura de 85 mil postos de trabalho. Além disso, os números de março e abril foram revisados para cima, indicando uma dinâmica mais forte do emprego do que a inicialmente reportada.

A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%, enquanto os salários médios por hora avançaram 0,32% no mês e acumulam alta de 3,45% em 12 meses.

Os números sugerem que o mercado de trabalho voltou a ganhar tração após a desaceleração observada ao longo do ano passado. Para o Fed, um mercado de trabalho aquecido tende a sustentar o consumo e a atividade econômica, mas também pode manter pressões inflacionárias por mais tempo.

Inflação segue distante da meta

A inflação também continua sendo motivo de preocupação para a autoridade monetária.

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O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançou 0,5% em maio, levando a inflação acumulada em 12 meses para 4,2%, mais que o dobro da meta de 2% perseguida pelo Fed.

O resultado veio em linha com as expectativas do mercado, mas reforçou a percepção de que o processo de desinflação perdeu velocidade nos últimos meses.

A alta dos preços foi puxada principalmente pelo grupo de energia, que avançou 3,9% no período. Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e acumula alta de 2,9% em 12 meses.

Mesmo abaixo da inflação cheia, o núcleo continua acima do nível considerado compatível com a meta de longo prazo do banco central americano.

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Economia desacelera, mas segue crescendo

Na atividade econômica, os sinais são mais mistos. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos foi revisado para uma expansão anualizada de 1,6% no primeiro trimestre de 2026. O resultado ficou abaixo da leitura preliminar de 2%, mas representa aceleração em relação ao crescimento de 0,5% observado no quarto trimestre de 2025.

Segundo o Bureau of Economic Analysis (BEA), o avanço da economia foi impulsionado pelas exportações, pelos investimentos, pelos gastos do governo e pelo consumo das famílias.

Embora o crescimento tenha perdido força em relação às projeções iniciais, o desempenho ainda sugere uma economia longe de uma recessão, reduzindo a urgência para uma flexibilização da política monetária.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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