A ‘favela’ onde pobres vivem melhor que ricos em muitas cidades pelo mundo
Em um país como a Suíça, que é frequentemente associado à riqueza, a relógios caros e a lagos cristalinos, é quase que impossível de se pensar no conceito de pobreza. No entanto, bairros mais populares da Basileia são chamados por alguns de “favelas”. A realidade desses lugares, porém, é completamente diferente do que a que se costuma associar a uma favela.
Pobreza com infraestrutura e serviços universais
A ideia de uma “favela suíça” causa estranhamento justamente por desafiar o estereótipo: ainda que nesses bairros as rendas sejam menores, a infraestrutura urbana — com saneamento, transporte público e serviços públicos essenciais — funciona.
Isso transparece em padrões de desenvolvimento humano que, mesmo nas camadas menos ricas da Suíça, superam os de muitas capitais pelo mundo. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o índice de desenvolvimento humano (IDH) por lá é de 0,967, sendo assim maior do que cidades como:
- São Paulo — IDH 0,805
- Rio de Janeiro — IDH 0,799
- Cidade do México — IDH 0,804
- Nova York — IDH 0,921
- Paris — IDH 0,901
- Londres — IDH 0,922
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A diferença principal não está na ausência de serviços básicos, mas na densidade demográfica e no tamanho menor das moradias.
Enquanto áreas nobres são caracterizadas por casas espaçosas e ruas silenciosas, os bairros populares, como Klybeck, vibram com comércio local, crianças nas ruas e intensa vida comunitária.

Quem vive nesses bairros?
A população dessas comunidades reflete a Suíça multicultural. Imigrantes da Turquia, da África, da Ásia e da América Latina se concentram em bairros com aluguéis mais acessíveis e proximidade de fronteiras com países como França e Alemanha, o que facilita o acesso a bens de consumo em euros, reduzindo o custo de vida frente aos preços internos.
Esses locais têm características como:
- Construções sem ostentação: Os bairros populares são formados por edifícios de desenho simples e funcional, distantes do charme arquitetônico das áreas históricas ou turísticas.
- Veículos fazem parte da paisagem: Ao contrário do que ocorre em países como o Brasil, ter renda mais baixa não impede a posse de automóveis, que aparecem com naturalidade nas ruas desses bairros.
- Poder de consumo preservado: Mesmo entre quem ganha menos, o nível de renda — com salários mínimos em torno de 4 mil francos suíços (cerca de R$ 26 mil) — permite acesso a bens duráveis, tecnologia e opções de lazer.
O desafio do climático
Mesmo com toda estrutura que o país oferece, se adaptar ao clima por lá pode ser um desafio. Isso poque, na Basileia, o inverno do clima continental é bem rigoroso.
Veja abaixo a dinâmica do clima, segundo o Climatempo:
| Período (meses) | Temperatura média | Clima | Atividades recomendadas |
| Dezembro a Fevereiro | -1°C a 6°C | Inverno rigoroso | Museus, mercados de Natal e o Carnaval de Basileia (Fasnacht) |
| Março a Maio | 5°C a 19°C | Primavera fresca | Caminhadas em parques, trilhas leves e feiras de rua |
| Junho a Agosto | 14°C a 26°C | Verão agradável | Nadar no Rio Reno com a Wickelfisch, lagos e festivais ao ar livre |
| Setembro a Novembro | 4°C a 16°C | Outono úmido | Feira de Outono (Herbstmesse), compras e turismo urbano |
Rio como meio de transporte
Apesar de grande parte do ano o clima ser ameno, o verão por lá é bem agradável e proporciona uma cena incomum para maior parte dos visitantes: no calor, as pessoas pulam no Rio Reno e deixam a correnteza conduzi-las ao longo da cidade.
Munidos da tradicional Wickelfisch — uma bolsa impermeável que protege roupas e objetos pessoais e ainda funciona como boia —, moradores transformam o rio em um corredor informal de deslocamento, descendo a água para chegar a parques, pontos de encontro ou simplesmente encurtar o caminho de volta para casa.
A prática, impensável em muitas capitais pelo mundo devido à poluição de seus rios, é algo comum por lá. Além de entrar em contato com a natureza, para quem vive nas “favelas” suíças ainda é uma maneira de economizar no transporte.
@btrizsenna SURREAL!!!! Pra mim, isso é qualidade de vida 🥹 #switzerland🇨🇭 #swissriver ♬ Lady Killers II – G-Eazy
Qualidade de vida e desigualdade
Dados oficiais mostram que cerca de 7% da população suíça pode ser definida como pobre, segundo critérios sociais, com desigualdade de renda menor do que em muitos países europeus. Mesmo assim, o alto custo de vida torna o acesso à habitação um fator central para medir a pobreza urbana no país.
As “favelas” suíças colocam um asterisco na ideia de que pobreza e miséria são sinônimos, já que mostram uma dinâmica em que mesmo os menos favorecidos têm acesso a padrões de vida que em outras partes do mundo — como no Brasil — estariam associados à classe média.
