A maior ilha do mundo, onde o sol dura só três horas por dia, está na mira de Donald Trump
Com invernos onde o sol nasce às 11h e se põe por volta das 15h e noites iluminadas pela aurora boreal, a Groenlândia se tornou palco de mais uma disputa geopolítica de Donald Trump. A vida naquela que é considerada a maior ilha do mundo parece (ou parecia) distante do noticiário frenético, mas agora está sob os holofotes internacionais.
Distante de tudo e com um estilo de vida único, como é viver em um lugar onde o tempo parece passar em outro ritmo — e que, de repente, passou a atrair os olhares do mundo?
Um cotidiano de frio constante na Groenlândia
Viver na Groenlândia é aceitar que a natureza manda. Em boa parte do território, o inverno domina o calendário; estradas são raras, e barco, avião e até trenó fazem parte da rotina de mobilidade. O deslocamento entre cidades costuma acontecer pelo ar ou pelo mar.
Por lá, a vida é gelada.
Com mais de dois terços da ilha acima do Círculo polar Ártico, os termômetros têm média de – 34 °C no lado norte durante o inverno, enquanto o sul fica em torno de – 7 °C. Nessa estação a luz do sol dura apenas três horas, com início por volta das 11h e fim às 15h.
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Já no verão, as temperaturas ficam em torno de 4 °C no norte e 7 °C no sul. E há outra diferença brutal: se no inverno a luz natural quase não aparece, durante os meses mais quentes o sol se recusa a ir embora. Em algumas regiões, ele permanece visível por 24 horas, dando origem ao fenômeno do “sol da meia-noite“, que transforma a rotina dos moradores, estica os dias e embaralha a noção de tempo.

Luz e escuridão moldam o dia a dia
Na capital da Groenlândia, Nuuk, vivem pouco mais de 20 mil habitantes. Ao todo, cerca de 57 mil pessoas habitam a imensa ilha boreal, número menor que a população permanente de cidades como:
- Caldas Novas (GO)
- Itapema (SC)
- Ouro Preto (MG)
- Foz do Iguaçu (PR)
- São Roque (SP)
Entre verões de sol constante e invernos em que a luz natural quase desaparece, essa alternância extrema dita o ritmo da vida local — moldando hábitos, rotinas e até o humor da população.
Festas de verão começam tarde e acabam cedo — afinal, o dia nunca termina. Já no inverno, a vida se recolhe para dentro de casa, com encontros íntimos, leitura, música e comida quente.
Enquanto isso, do lado de fora a aurora boreal pinta o céu. Para os turistas é um espetáculo, já para os locais faz parte do cotidiano.

A maior ilha do mundo
Com mais de 2,1 milhões de km², a Groenlândia carrega o título de maior ilha do mundo.
Para efeito de comparação, seu território é maior que a soma de França, Alemanha, Espanha e Itália. Ainda assim, cerca de 80% da superfície é coberta por gelo, o que ajuda a explicar por que uma área tão vasta abriga uma população menor do que a de muitas cidades brasileiras.
No entanto, no tradicional mapa-múndi visto por aí, ela parece ser maior do que realmente é. Isso acontece por conta da Projeção de Mercator, um tipo de mapa criado em 1596 para facilitar a navegação marítima que preserva ângulos e direções, mas distorce os tamanhos reais dos continentes.
Com isso, regiões próximas aos polos, como a Groenlândia e a Europa, parecem muito maiores do que realmente são, enquanto áreas próximas à linha do Equador – como a África – acabam subestimadas.
Abaixo você pode fazer a comparação do tamanho real da Groenlândia com o resto do mundo:
Economia que vem do gelo (e do subsolo)
Tradicionalmente, a economia gira em torno da pesca (camarão e halibute lideram), da caça de subsistência e de serviços públicos. Mas o aquecimento global abriu novas rotas marítimas e aumentou o interesse por minerais estratégicos — recursos como lítio e elementos de terras raras (ETRs), essenciais para tecnologias verdes, mas cuja produção e sustentabilidade são altamente sensíveis.
Além das terras raras, também há petróleo. O Serviço Geológico dos EUA estima que a costa nordeste da Groenlândia (incluindo áreas cobertas por gelo) contém cerca de 31 bilhões de barris de petróleo equivalente em hidrocarbonetos.
É aí que entra o tabuleiro global.
Para além dos recursos, a região fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que é vital para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
Donald Trump já expressou interesse em expandir sua presença militar na ilha ártica, incluindo a instalação de radares para monitorar as águas entre a ilha, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.