Carros

A montadora nacional chegou? ‘Tesla do Brasil’ quer desbancar BYD em Camaçari, com promessa de maiores investimentos

29 fev 2024, 18:00 - atualizado em 29 fev 2024, 18:00
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Fundador da Lecar, que já conta com 2 protótipos de carros elétricos, um coupé e um hatch, diz ter oferecido uma proposta melhor que a chinesa BYD (Foto: Lecar/Divulgação)

A Lecar, empresa brasileira de carros elétricos, baseada em Barueri, no interior de São Paulo (SP), quer desbancar a chinesa BYD na disputa pelo complexo industrial que pertenceu à Ford entre 2001 e 2021 em Camaçari (BA).

Flávio Figueiredo Assis, CEO e fundador da Lecar, conta que a empresa iniciou seu projeto em 2022 e em dezembro de 2023 a companhia começou a montar o seu protótipo, o Lecar 459

“O veículo segue para homologação e inicia sua produção em dezembro deste ano já. O projeto nasceu em Caxias do Sul (RS), com o legado da Marcopolo (POMO4) e Randon (RAPT4), sendo um grande polo de mobilidade. O nosso primeiro veículo, o Lecar 459, nasceu um sedan e se tornou um coupé, isso porque quando iniciamos o nosso projeto, o carro mais vendido no Brasil era o Corolla”, explica.

Assis conta que o maior desafio ficou por parte da engenharia do Brasil.

“Não temos a cultura de produzir um próprio, e sim de montá-lo. Com isso, foi desafiador convencer os engenheiros que isso poderia ser feito. E assim, nós enviamos um Tesla para Caxias do Sol para ser desmontado e os profissionais se familiarizarem com o carro elétrico. Estamos fazendo de tudo para acertarmos no primeiro modelo, se não agradar, vamos ajustando”, discorre.

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Conceito do Lecar 459 (Foto: Lecar/Divulgação)

O CEO ressalta que os custos para construção do carro eram muito elevados, em especial para a bateria. “De dezembro para cá, a bateria passou de US$ 15.000 para US$ 6.600, uma notícia que vimos com otimismo. Mas na época que começamos, não dava para imaginarmos um carro popular em torno de R$ 100.000, algo que tem ganhado força, e isso se deve a essa queda na bateria”, diz.

A empresa também conta com um protótipo de um veículo hatch.

Como a Lecar pode desbancar a BYD na disputa por Camaçari?

O CEO da Lecar ficou sabendo que a linha de montagem da Ford, em Camaçari estava sendo comprada, o que lhe causou estranheza.

“A BYD comprou a fábrica e vende o maquinário? Nisso, fomos para Camaçari na última terça (27) para entender esse movimento, e quando chegamos lá, já havia placas da empresa e funcionários trabalhando. No entanto, pelo que estava sendo divulgado na empresa e pelo Governo da Bahia, o negócio já era deles, o que me pareceu uma estratégia para afastar outros interessados”, disse.

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Quando entrou na planta, ele se surpreendeu com os equipamentos de robôs novos instalados pela empresa. “Isso não entrou na minha cabeça. Dito isso, eu encontrei o edital de chamamento público que o governo da Bahia fez, de processo da concessão da área para a BYD, e tem um momento do processo, que é obrigatório ofertar para outras interessadas, e nós chegamos lá faltando dois dias para esse prazo expirar. Sendo assim, manifestamos de forma oficial a intenção da Lecar por Camaçari”, comenta.

Assis acredita que a empresa quer apenas explorar o prédio, trazendo o carro desmontado da China, para montá-lo aqui. “Isso para mim parece ir contra o propósito da propriedade de desenvolver fornecedores locais e geração de empregos. Com a minha manifestação de interesse, eles me darão um prazo para eu apresentar minha proposta de desenvolvimento da propriedade. Não tem explicação em comprar a fábrica e vender o maquinário”, explica.

Lecar promete investimentos ousados em Camaçari

O CEO da montadora nacional destaca que a empresa pretende criar um ecossistema de avanço para o Brasil na região.

“Os meus fornecedores para o 459 são empresas como a Randon, através das suas verticais de tecnologia, a Weg (WEGE3), que me fornecerá motores produzidos aqui. Com isso, todos as empresas vão se juntar para evoluir os produtos e a tecnologia automotiva pega uma carona nisso”, analisa.

Assis ressalta que não pode dar detalhes sobre o quanto será investido e quantos empregos serão criados, mas ele garante que a proposta da nacional será mais competitiva do que a da BYD. Ele comenta que também conversa com a Embraer (EMBR3), através da Embraer X, sobre parcerias.

“Vamos fabricar o carro em Camaçari e gerar três vezes mais empregos de quem só vai ‘apertar parafuso’. Queremos que 100% dos empregos sejam brasileiros, com prioridades para os ex-funcionários da Ford que perderam seus empregos. Essa região já é um polo industrial e temos um planejamento bem definido. Nos próximos 10 anos, queremos fazer Camaçari uma referência em tecnologia equivalente ao Vale do Silício. Esse é o maior movimento de reindustrialização do Brasil”, ressalta.

Ele cita que há um assédio de investidores para realizar aportes.

“O que menos nos preocupa são investimentos, já que o mercado sabe que esse é um bom negócio. As empresas de carros elétricos dispararam em valor de mercado, e não porque lucram muito, mas por serem uma solução para o futuro. Vamos investir bem mais que esses R$ 3 bilhões da BYD em 5 anos”, finaliza.

Segundo informações da BYD, as obras em Camaçari estão previstas para começar em breve. A montadora chinesa promete investir cerca de R$ 3 bilhões no Brasil nos próximos anos.

Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil, que cobre o ciclo da oleaginosa do plantio à colheita, e do Agro em Campo, programa exibido durante a Copa do Mundo do Catar e que buscava mostrar as conexões entre o futebol e o agronegócio.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil, que cobre o ciclo da oleaginosa do plantio à colheita, e do Agro em Campo, programa exibido durante a Copa do Mundo do Catar e que buscava mostrar as conexões entre o futebol e o agronegócio.
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