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Abril fecha 10 revistas após troca de comando; Veja, Exame e Claudia continuam

06/08/2018 - 19:39

Por Arena do Pavini – Em meio à crise do mercado editorial brasileiro, o Grupo Abril, um dos maiores e mais tradicionais do país, anunciou internamente, na manhã desta segunda-feira o fechamento de dez revistas, segundo o site Meio & Mensagem. Foram encerrados os títulos Cosmopolitan, Elle, Boa Forma, VIP, Viagem e Turismo, Mundo Estranho, Arquitetura, Casa Claudia, Minha Casa e Bebe.com. As revistas Veja, Exame e Claudia foram poupadas, segundo apuração de Meio & Mensagem. Além desses títulos, também a edição regional da Veja para o Rio de Janeiro, a Vejinha Rio, deixará de circular a partir desta semana. após 27 anos.

Há um mês, a Abril anunciou que não publicaria mais os quadrinhos da Walt Disney, que deram início à empresa com a publicação da revista do Pato Donald no Brasil, em 1950. Milhões de brasileiros começaram a ler com os quadrinhos da editora, que enfrenta a queda das receitas de publicidade e das vendas em banca e por assinatura em meio à concorrência dos veículos digitais. A crise do setor de revistas e jornais é mundial, mas se acentuou no Brasil com a crise econômica e a alta do dólar, que eleva o custo do papel para impressão, importado.

Cerca de 100 jornalistas demitidos

As estimativas são de que 500 funcionários sejam demitidos, sendo 100 jornalistas, segundo o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Segundo o Sindicato, a empresa havia sido procurada na quinta-feira passada e a direção negou que faria novas dispensas em massa depois das feitas o fim do ano passado.

A decisão foi anunciada em uma reunião com funcionários. Ainda há dúvidas sobre a manutenção de Superinteressante e Quatro Rodas, segundo o M&M. É o anúncio mais recente após os herdeiros da família Civita, fundadores da Abril, se retirarem do comando executivo da empresa e passarem para o conselho de administração, deixando o dia a dia para a consultoria Alvarez & Marsal. Recentemente, a editora mudou sua sede do prédio localizado na Marginal Pinheiros, ao lado da estação de metrô Pinheiros e da Praça Victor Civita, homenagem ao fundador do grupo, para um edifício no Morumbi.

Dois anos de prejuízos seguidos e alerta do auditor

No balanço de 2017 do Grupo Abril, o auditor PWC mencionou em seu parecer a “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da empresa. Na nota, a PWC chama a atenção para o fato de a Abril e suas controladas estarem apresentando prejuízos repetitivos em suas operações, de R$ 137,8 milhões em 2016 e de R$ 331,7 milhões em 2017 e patrimônio líquido negativo de R$ 414,2 milhões em 2016 e R$ 715,9 milhões em 2017.

Segundo a nota dos consultores publicada junto com o balanço em abril deste ano, a administração vinha tomando medidas para recuperar a lucratividade das operações e os acionistas controladores se comprometiam a prover suporte financeiro para manter a continuidade operacional da companhia por meio de mútuo (empréstimo) ou qualquer outra forma. Apesar disso, a PWC afirma que a situação indica “existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre sua continuidade operacional”.

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Última atualização por Gustavo Kahil - 06/08/2018 - 19:39

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