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Ação na moda? Enjoei une experiência de usuário “divertida” com sustentabilidade

30 mar 2021, 17:20 - atualizado em 30 mar 2021, 21:25
Enjoei
O Enjoei pode ser visto como um parceiro na melhoria dos padrões ESG para empresas de vestuário, afirmou a XP Investimentos (Imagem: Diana Cheng/Money Times)

A XP Investimentos iniciou a cobertura das ações do Enjoei (ENJU3) com recomendação de compra e preço-alvo para o fim de 2021 de R$ 15. A corretora acredita que, além do cenário favorável no e-commerce, a companhia entrega uma experiência diferenciada ao usuário, com funcionalidades na plataforma que aumentam o nível de engajamento.

Soma-se a isso o fator ESG (Environmental, Social and Corporate Governance, ou Governança Ambiental, Social e Corporativa traduzido para o português) do modelo de negócio, tendência que deve ganhar cada vez mais notoriedade na indústria da moda.

Segundo a XP, o Enjoei é um marketplace que combina a experiência divertida de uma rede social (os usuários da plataforma podem, por exemplo, seguir marcas, salvar itens e conversar com vendedores) com um forte apelo por pautas sustentáveis.

“O Enjoei não é apenas o ‘melhor da sala’ tanto no segmento de vestuário quanto no de comércio eletrônico, mas também pode ser visto como um parceiro na melhoria dos padrões ESG para empresas de vestuário ao promover a economia circular”, afirmaram os analistas Danniela Eiger, Gustavo Senday, Thiago Suedt e Marcella Ungaretti, em relatório divulgado ontem à noite.

A corretora destacou que a conscientização no mercado da moda está crescendo, o que cria oportunidades interessantes para o Enjoei.

O mercado de segunda mão ainda é inexplorado no Brasil. A Enjoei responde por menos de 1% da indústria da moda no país. Com os impactos da Covid-19 na economia, a busca por itens mais baratos e a venda de roupas usadas como forma de ganhar dinheiro devem aumentar.

Outro fator que corrobora com a ideia de que o mercado de segunda mão é uma tendência é que a geração Z está mais aberta a comprar ou revender roupas usadas.

Vias de crescimento

Roupas, Moda, Vestuário, Varejo
O Enjoei entendeu que, para reter os consumidores, mais vendedores precisam entrar na plataforma (Imagem: Unsplash/@adrienneleonard)

O Enjoei tem como uma das prioridades aumentar a base de clientes. Para isso, a empresa vai investir mais em marketing por meio de canais de mídia – inclusive marketing offline, que começou a ser deixado de lado pelos varejistas tradicionais.

“O ambiente competitivo desafiador está pressionando os custos de marketing (por exemplo, palavras-chave no Google), o que levou outros players, como o Shopee, a adotarem ferramentas de marketing mais tradicionais, o que tem se provado um sucesso”, comentaram Eiger, Senday, Suedt e Ungaretti.

Outro ponto importante para o Enjoei é a recorrência de compra. A companhia entendeu que, para reter os consumidores, mais vendedores precisam entrar na plataforma. A solução que a empresa encontrou para atrair novos usuários foi melhorar o sortimento de moda, incluindo moda masculina e infantil, e diversificar as categorias (além de vestuário, a plataforma oferece produtos de casa e decoração).

Investimentos em logística também estão nos planos do Enjoei, que contava apenas com o serviço de entrega dos Correios até o fim do ano passado.

“A matriz logística já está sendo diversificada para outras transportadoras, como Jadlog (que já responde por 10-20% das vendas), Uello, Kangu e Sequoia (SEQL3)”, destacaram os analistas.

Riscos

A tese de investimento do Enjoei possui alguns riscos. A competição é uma delas. Apesar de a empresa ter uma boa vantagem em relação aos pares, a XP acredita que ainda é um fator importante a ser monitorado.

Os analistas veem a competição dividida em três categorias: i) marketplaces tradicionais, que trazem pouca preocupação; (ii) marketplaces de moda, que não têm a mesma proposta de valor que a empresa; e iii) plataformas de reutilização de roupas, o principal risco para o Enjoei.

O Enjoei também precisa lidar com o risco de ter produtos falsificados na plataforma. A companhia já desenvolveu uma série de ações para minimizar o problema, desde reforçar a equipe de fraudes a disponibilizar um canal de denúncia.

Editora-assistente
Formada em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua como editora-assistente do Money Times há pouco mais de três anos cobrindo ações, finanças e investimentos. Antes do Money Times, era colaboradora na revista de Arquitetura, Urbanismo, Construção e Design de interiores Casa & Mercado.
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Formada em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua como editora-assistente do Money Times há pouco mais de três anos cobrindo ações, finanças e investimentos. Antes do Money Times, era colaboradora na revista de Arquitetura, Urbanismo, Construção e Design de interiores Casa & Mercado.
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