Ações da AMD derretem mais de 16% e puxam Nasdaq para o negativo após previsão de queda nas receitas
Negociadas no índice Nasdaq, em Wall Street, as ações da Advanced Micro Devices (AMD) derretem quase 20% após a companhia divulgar uma previsão (guidance) para os próximos resultados aquém da expectativa do mercado.
Por volta de 16h40 (horário de Brasília), as ações da AMD registravam queda de 16,32%, a US$ 202,64. No mesmo horário, o índice Nasdaq registrava recuo de 1,38%, aos 22.934,84 pontos.
Ontem (3), a AMD reportou um lucro líquido de US$ 1,5 bilhão no quarto trimestre (4T25), acima do esperado. A empresa de semicondutores também registrou lucro ajustado por ação de US$ 1,53 no quarto trimestre, em comparação com a estimativa de consenso de Wall Street de US$ 1,32, segundo a FactSet. Já a receita atingiu US$ 10,3 bilhões, superando as expectativas dos analistas de US$ 9,67 bilhões.
Contudo, excluindo o aumento inesperado das vendas de chips de inteligência artificial (IA) para a China, o segmento de data centers da empresa teria ficado aquém das estimativas, em um momento em que a rival de longa data, Nvidia, já acostumou os investidores a previsões extremamente otimistas.
A companhia também divulgou a previsão de uma ligeira queda na receita do primeiro trimestre de 2026, levantando preocupações sobre sua capacidade de competir efetivamente com a Nvidia no crescente mercado de IA.
Em números, a AMD espera uma receita de US$ 9,8 bilhões, com uma margem de erro de US$ 300 milhões, no primeiro trimestre deste ano (1T26). A expectativa anterior era de US$ 9,38 bilhões.
Alguns analistas previram uma perspectiva muito mais otimista para a empresa, impulsionada pelo aumento dos gastos com IA e pela construção massiva de centros de dados.
Em teleconferência com investidores, a presidente-executiva da AMD, Lisa Su, reiterou que a empresa espera que as vendas de um novo servidor de IA de ponta para a OpenAI e outros clientes aumentem rapidamente no segundo semestre deste ano, afirmando que a escassez global de chips de memória não irá prejudicar seus planos.
“Não acredito que teremos problemas de abastecimento em relação ao aumento gradual da produção que implementamos”, disse Su.
Ela ainda reforçou essa perspectiva em entrevista à CNBC, realizada nesta quarta-feira (4). “O que eu posso dizer, com base na minha experiência interna, é que a IA está acelerando em um ritmo que eu jamais imaginaria”, afirmou ela.
*Com informações de Estadão Conteúdo, Reuters e CNBC.