Depois de divulgar um quarto trimestre com avanço operacional relevante, mas abaixo das expectativas em algumas linhas, as ações da Axia Energia (AXIA3) caem nesta sexta-feira (27), enquanto o mercado tenta equilibrar crescimento anual forte com um “miss” pontual frente às estimativas.
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Às 11h, a AXIA3 recuava 2,73%, a R$ 61,20.
No período, a companhia registrou receita líquida de R$ 9,9 bilhões, queda de cerca de 5% na comparação anual, refletindo principalmente menor volume de energia vendida no segmento de geração e receitas de transmissão abaixo do esperado pelo mercado.
O Ebitda ajustado somou R$ 5,6 bilhões, alta de 18% na comparação com o 4T24, com margem de 55%. Já o lucro líquido ajustado atingiu R$ 2,8 bilhões, avanço de 152% ano contra ano. Considerando efeitos contábeis, o lucro reportado foi de R$ 14 bilhões, impulsionado pelo reconhecimento de R$ 12,3 bilhões em créditos tributários.
O que incomodou no trimestre?
Apesar do crescimento expressivo na comparação anual da última linha, o resultado — sobretudo em receita e Ebitda frente ao consenso — ficou abaixo das estimativas de parte do mercado. O principal fator foi o volume de energia vendida menor do que o modelado pelas casas.
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Para o UBS BB, “o número ficou abaixo do esperado principalmente decorrente de um volume de energia vendida inferior às nossas estimativas”. Ainda assim, o time liderado por Giuliano Ajeje ponderou que “o crescimento sequencial continua sólido”, indicando que o desvio foi mais pontual do que estrutural.
A XP também destacou a frustração na linha operacional. “O Ebitda ajustado ficou 11% abaixo da nossa estimativa, pressionado por energia vendida 13% abaixo do projetado e receitas de transmissão menores”, escreveu a equipe encabeçada por Raul Cavendish.
Apesar disso, os analistas ressaltaram que “o preço médio de geração veio 5% acima do esperado pelo segundo trimestre consecutivo, refletindo boa gestão de portfólio”.
Segundo a equipe, o recuo no volume está muito mais ligado à alocação intra-anual do portfólio da Axia e à sua estratégia comercial do que a qualquer deterioração operacional. A energia vendida ficou 13% abaixo da estimativa, mas a Axia pode ter optado por reter parte da energia para comercialização em outros períodos ou redirecionado contratos dentro do portfólio.
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“O miss pode ser explicado por uma alocação diferente versus nossas estimativas”, escreveram Raul Cavendish e Bruno Vidal. O fato de o EGP/MWh ter vindo acima do esperado indica que a empresa conseguiu capturar preços melhores, ainda que com menor volume — vendendo menos, mas a preços mais altos.
Na avaliação da corretora, “não há elementos estruturais que justifiquem revisões relevantes nas estimativas”, reforçando que a reação do mercado pode estar mais ligada ao descolamento frente ao consenso do que a uma piora efetiva do negócio.
O peso dos créditos tributários
Se o Ebitda trouxe ruído frente às projeções, o lucro chamou atenção pelo tamanho. O resultado reportado de R$ 14 bilhões foi fortemente influenciado pelo reconhecimento de R$ 12,3 bilhões em créditos tributários, com potencial de conversão futura em caixa.
Para o BTG Pactual, o impacto vai além do efeito contábil. “O reconhecimento dos créditos é bastante favorável em termos de valor presente e aumenta os lucros acumulados, o que pode sustentar dividendos mais elevados à frente”, escreveu o time de Antonio Junqueira.
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O banco também argumenta que, “ajustando provisões relacionadas à geração e custos de rebranding, o Ebitda poderia ter ficado entre R$ 5,8 bilhões e R$ 5,9 bilhões, acima da nossa projeção”.
Na visão dos analistas, “o quarto trimestre foi mais um trimestre sólido, com vitórias em praticamente todas as frentes”, consolidando um ciclo de transformação estratégica iniciado nos últimos anos.
Tese intacta
No pano de fundo, o debate entre as casas gira menos em torno da fotografia do trimestre e mais sobre a trajetória. “A tese converge cada vez mais para dois vetores: preços de energia de longo prazo e alocação de capital”, apontam analistas do setor.
Em termos de recomendação, UBS BB, BTG Pactual e XP mantêm compra para a companhia. O UBS tem preço-alvo de R$ 80; o BTG, de R$ 61; e a XP, de R$ 48,8 para AXIA3 e R$ 53,7 para AXIA6 — sinalizando que, apesar do ruído no trimestre e da queda da receita puxada por menor volume vendido, a leitura predominante ainda é construtiva.