Ações da BMW caem ao menor nível desde 2020 após alerta sobre lucros
As ações da montadora alemã de luxo BMW recuavam cerca de 7% na bolsa de valores de Frankfurt, na Alemanha, após a empresa ter divulgado, na noite de terça-feira (16), um alerta sobre os lucros que, segundo alguns analistas, poderia indicar uma reformulação estratégica mais ampla, incluindo cortes de capacidade na Europa.
A BMW atribuiu a culpa à prolongada fraqueza na China, o maior mercado automotivo do mundo, e ao impacto da guerra no Irã sobre os preços e o ânimo dos consumidores.
Analistas do Deutsche Bank e da Jefferies afirmaram que a revisão para baixo nas perspectivas foi significativamente maior do que o esperado.
A queda nos preços nessa quarta-feira (17) levou as ações da BMW ao seu nível mais baixo desde novembro de 2020 e pesou sobre as ações de todo o setor automotivo europeu, incluindo as rivais alemãs Volkswagen e Mercedes-Benz.
Além de reduzir sua margem operacional no setor automotivo de 4% a 6% para 1% a 3%, a BMW informou que intensificaria os cortes de custos, com um impacto negativo pontual no segundo semestre de 2026.
A BMW divulgou seu alerta de lucros — que os analistas do JP Morgan descreveram como radical — apenas seis semanas depois de a empresa ter confirmado suas perspectivas durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre (1T26).
Começo ruim para o novo CEO
É um mau começo para o presidente-executivo Milan Nedeljkovic, que assumiu o cargo no mês passado, substituindo o líder de longa data Oliver Zipse.
“Após três alertas de lucros nos últimos dois anos, todos em grande parte relacionados à China, a imagem da BMW como a ‘marca estável’ do setor automotivo claramente sofreu um golpe”, escreveram analistas do Deutsche Bank em uma nota.
A corretora Jefferies afirmou que espera que a reestruturação afete principalmente as operações da BMW na Alemanha e possa acelerar a localização em mercados como a China e a América do Norte, a fim de proteger as margens e evitar exportações da Alemanha.
Isso poderia resultar no anúncio de um corte de 10% a 15% na capacidade durante o ‘Capital Markets Day’ da empresa, ainda este ano, escreveram os analistas do JP Morgan.