Ações do varejo de moda estão baratas? XP vê gatilho para Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3)
A XP Investimentos atualizou as estimativas para o setor de vestuário após o segundo trimestre de 2026, de olho na continuidade de pressão sobre o consumidor, clima volátil e concorrência com nomes internacionais pesando sobre as vendas no terceiro trimestre do ano.
Na leitura dos analistas Pedro Caravina e Laryssa Sumer, as margens brutas devem apresentar maior resiliência do que a receita, enquanto os ganhos de margem em 2027 devem vir cada vez mais da execução, e não de preços.
Apesar da expectativa de um segundo semestre mais fraco, os analistas permanecem construtivos, uma vez que o setor negocia abaixo de seus múltiplos históricos.
Além disso, um potencial ciclo de flexibilização monetária deve aliviar gradualmente tanto o orçamento das famílias quanto o custo de capital, ponto apontado como o principal gatilho para um re-rating.
Diante desse cenário, os analistas da XP mantêm as recomendações de compra para Lojas Renner (LREN3), com preço-alvo de R$ 18, para C&A (CEAB3), com preço-alvo de R$ 17, e para a Riachuelo (RIAA3), com preço-alvo de R$ 14.
Os desafios do varejo de vestuário
Do lado macroeconômico, a XP vê um cenário de pressão, mas com juros como gatilho.
Com o comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida em nível recorde, inadimplência crescente e inflação de alimentos de 7,7% em 2026, nas expectativas da casa, as categorias discricionárias como vestuário estão entre as primeiras a sentir a pressão.
“Segundo nossa equipe de Macro da XP, o alívio deve ocorrer gradualmente, uma vez que a Selic deve cair de 13,25% ao final de 2026 para 11,50% em meados de 2027″, diz a casa.
Para as ações, os analistas veem um potencial custo de capital mais baixo como o principal gatilho para um re-rating: tudo o mais constante, uma queda de 100 pontos-base no custo de capital próprio elevaria nossos valores por DCF (fluxo de caixa descontado) em aproximadamente 8–10%, com a Riachuelo sendo a mais sensível.
Somado a isso, clima e concorrência são os dois fatores que aumentam o desafio para as varejistas de vestuário.
Do lado do clima, a volatilidade voltou a dificultar o alinhamento das coleções à demanda no terceiro trimestre. Olhando à frente, um El Niño potencialmente recorde adiciona incerteza, com chuvas acima da média esperadas no Sul e em partes do Sudeste.
Enquanto isso, com a isenção do imposto de importação sobre compras de até US$ 50 em maio, os volumes do Remessa Conforme saltaram para aproximadamente 26 milhões a 27 milhões de encomendas por mês, alta de 76% ao ano em agosto.
“Nossos dados do Rack by Rack mostram que a Shein continua sendo a opção mais barata, embora a diferença de preços em relação aos players locais tenha diminuído. Vemos os players locais bem posicionados em preço/qualidade, mas o cross-border adiciona pressão em um ambiente de consumo fraco”, diz a XP.
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Ganhos virão da execução
Os ganhos de margem em 2027 devem vir da execução, na visão da XP. Os analistas citam iniciativas de cadeia de suprimentos na C&A, recuperação da margem bruta na Riachuelo e eficiência de despesas operacionais na Lojas Renner.
“Após um ano de desalavancagem de despesas em 2026, esperamos que as três empresas diluam despesas em 2027, à medida que as vendas se recuperem e as iniciativas de eficiência amadureçam”, afirmam os analistas.
A XP revisou as estimativas para refletir uma receita mais fraca no segundo semestre do ano, reduzindo a projeção de lucro líquido de 2027 em 13% para Lojas Renner e 2% para C&A, enquanto elevou a estimativa em 1% para Riachuelo, onde a expansão da margem bruta mais do que compensa as vendas mais fracas.
Ainda assim, a visão permanece construtiva em relação às estratégias de longo prazo das empresas, tendo em vista a combinação de perspectivas macroeconômicas favoráveis em uma potencial virada do ciclo com alavancas específicas de rentabilidade à frente.