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‘Adentro?’ Javier Milei confirma volta de ‘retenciones’ e produtores da Argentina reagem; os reflexos para o Brasil

16 abr 2025, 17:39 - atualizado em 17 abr 2025, 11:43
javier milei argentina
As volta das retenciones por Milei encarecem a soja e o milho no mercado internacional, assim como seus derivados. (Imagem: REUTERS/Agustin Marcarian)

O presidente da Argentina, Javier Milei, sinalizou na segunda-feira (14) aos produtores rurais a retomada das famosas “retenciones” em julho, o imposto sobre exportações cobrados pelo governo sobre determinados produtos, especialmente commodities agrícolas como soja, trigo, milho e carne.

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A suspensão, que ocorria desde janeiro de 2025, foi implementada para antecipar a liquidação de dólares pelo setor, em meio a um período de valorização da moeda do país.

“Avisem ao campo que se for para vender, que o façam agora, porque elas [retenciones] voltam em julho”, disse Milei em entrevista para rádio do país.

As taxas, em vigor até 30 de junho de 2025, foram reduzidas em 27 de janeiro da seguinte forma:

  • Soja: 33% para 26%
  • Milho: 12% para 9,5%
  • Trigo: 12% para 9,5%

Diego Cifarelli, presidente da Federação Argentina da Indústria Moageira (Faim), disse em entrevista ao La Nacion, é “uma pena que a Argentina vá pelo caminho da volta das retenciones, indo contra o caminho lógico para recuperar o vigor que o país deveria ter e soube ter”.

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Já Fernando Storni, presidente da Câmara Argentina de Feedlot, que representa o setor de confinamento bovino do país, se mostrou esperançoso de que o governo não volte atrás no caminho da redução.

No ano passado, como você viu aqui no Money Times, Milei disse que estava “ansioso para sair deste modelo desastroso onde o Estado, entre retenções e estoques, expropria 70% do que produz no campo”. Apesar disso, ele reforçou que retirar o que chamou naquela época de “remendos” agravaria a crise herdada pelo seu governo.

Os reflexos para o Brasil com o fim das retenciones

De acordo com Raphael Bulascoschi, analista da StoneX, as retenciones encarecem a soja e o milho no mercado internacional, assim como seus derivados, o que tende a favorecer outros exportadores, como é o caso do Brasil.

“Porém, a partir de julho, já existe um cenário de exportações mais lentas por parte do Brasil para soja, com o pico dos embarques agora em abril. Então, essa questão pode favorecer o Brasil, mas há essa ressalva”.

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Bulascoschi aponta que a decisão também aconteceu em meio ao fim dos controles cambiais da Argentina, o que fez com que o peso despencasse nesta semana, o que tende a favorecer a comercialização dos bens exportáveis do país, como grãos.

“O anúncio da volta das retenciones e um câmbio mais desvalorizado pode fazer com que a Argentina um impulso exportador um pouco mais forte no curto prazo, antes de julho, aproveitando esse câmbio e os menores impostos”.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, também participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil e do Agro em Campo. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
pasquale.salvo@moneytimes.com.br
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, também participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil e do Agro em Campo. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.