Agibank fixa faixa indicativa de IPO nos EUA e pode captar até US$ 785,5 milhões
A AGI Inc, holding do Agibank, protocolou nos Estados Unidos seu prospecto preliminar de oferta de ações para um IPO de cerca de 43,6 milhões de ações Classe A, com faixa indicativa entre US$ 15 e US$ 18.
O Agibank pode captar, com isso, entre US$ 654,5 milhões e US$ 785,5 milhões — considerando a oferta e a faixa indicativa. No preço médio, de US$ 16,50, o prospecto estima que a companhia levantaria cerca de US$ 703,9 milhões em recursos líquidos (já descontadas comissões e despesas).
A operação está desenhada para levantar caixa novo para a empresa na “oferta-base”, que será 100% primária (ou seja, o dinheiro entra no caixa com a emissão de ações novas). Se a demanda após essa primeira fase permitir, entra o greenshoe, com Vinci Compass e Lumina, fundos de privaty equity com participações na empresa, vendendo posições.
Segundo fontes do Estadão, a companhia pretende estrear na Bolsa norte-americana no dia 11 de fevereiro, com a precificação acontecendo um dia antes.
A destinação do capital levantando indicada é ampla. O AgiBank cita no documento que irá “usar os recursos para fins corporativos gerais”, com possibilidade de M&As e investimentos — mas sem acordos relevantes já firmados.
O desenho da operação prevê uma estrutura de duas classes de ações: enquanto a Classe A dá um voto por ação, a Classe B dá 10 votos e não será negociada em bolsa. Na prática, o controle permanece concentrado. “Os detentores de ações Classe B têm direito a 10 votos por ação”, descreve o prospecto.
No pós-oferta, todas as ações Classe B ficariam com Marciano Testa, fundador e acionista controlador, que teria cerca de 92,4% do poder de voto e 55% do capital (considerando ausência do exercício do lote adicional pelos coordenadores).
Do lado operacional, a companhia, no documento, reporta 6,4 milhões de clientes ativos ao fim de setembro de 2025 e uma rede de 1.101 “Smart Hubs” no país, modelo híbrido (físico + digital) que o banco aponta como diferencial para originação e relacionamento.
No mesmo recorte, o prospecto mostra carteira de crédito de R$ 34,46 bilhões e receita total de R$ 7,74 bilhões.
Em lucratividade, o documento indica lucro líquido de R$ 831,7 milhões nos nove meses até setembro de 2025, com ROAE anualizado de 39,1%. A inadimplência acima de 90 dias (NPL 90+) aparece em 2,6%, enquanto a despesa de provisão sobre a carteira é de 5,3%.