AgiBank toca sino na NYSE com IPO menor que o previsto; gestor vê tese menos agressiva que a do PicPay
O AgiBank tocou o sino e estreou suas ações na Bolsa de Nova York (NYSE), marcando o segundo IPO (oferta pública inicial) de uma empresa brasileira no ano. No começo do mês, o PicPay também fez sua estreia, mas na Nasdaq.
Inicialmente, a fintech pretendia levantar até US$ 785 milhões. No entanto, precisou reduzir tanto o volume de ações ofertadas quanto a faixa de preço. Com isso, captou menos da metade do valor originalmente estimado, US$ 276 milhões, com a ação precificada a US$ 12, o piso da faixa indicativa que já havia sido revisada.
Pesou para a menor demanda a virada de humor do mercado em relação às empresas de tecnologia. Além disso, a queda de 17% nas ações do PicPay desde a estreia afastou parte dos investidores.
No acumulado de 2025 até o fim de setembro, o AgiBank registrava cerca de 6,4 milhões de clientes ativos, carteira de crédito de R$ 34 bilhões, lucro líquido de R$ 875 milhões e retorno médio sobre o patrimônio líquido (ROE) de 41%.
Para um gestor ouvido pelo Money Times, o preço da oferta não embute uma expectativa tão agressiva de crescimento quanto no caso do PicPay.
‘Por outro lado, não é tão simples defender a tese de empresa tech. O banco ainda é muito dependente da rede de agências e de um produto específico, que é o consignado do INSS’, avalia.
Na contramão do mercado
Após a cerimônia de abertura, o fundador do AgiBank, Marciano Testa, afirmou que o banco vem remodelando o varejo bancário no Brasil por meio de um modelo híbrido, que combina banco digital com mais de 1.100 hubs físicos espalhados pelo país.
‘Isso nos deu a vantagem de atender a maior e mais crescente população do Brasil, formada por pessoas que vêm sendo deixadas para trás pelo sistema financeiro tradicional’, disse.
Focado na baixa renda, o AgiBank pretende manter a estratégia híbrida, apostando na presença física — na contramão de boa parte dos concorrentes, que reduziram agências nos últimos anos.
‘Para nós, é uma enorme oportunidade atender esses clientes que outros bancos deixaram para trás.’
‘Estamos muito animados para continuar crescendo, especialmente nas pequenas cidades, onde muitas vezes somos o único banco presente. Temos uma grande oportunidade de continuar revolucionando esse mercado’, afirmou.