AIE reduz previsão de oferta de petróleo em meio a guerra no Oriente Médio
A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu drasticamente sua previsão de crescimento da oferta de petróleo, apenas um dia após uma liberação histórica de estoques emergenciais, à medida que a guerra no Oriente Médio compromete os fluxos por uma das rotas de petróleo mais estratégicas do mundo.
Em seu relatório mensal divulgado nesta quinta-feira (12), a organização com sede em Paris — que representa as principais nações consumidoras de petróleo — passou a projetar crescimento de 1,1 milhão de barris por dia (bpd) na oferta para 2026, ante 2,4 milhões de bpd estimados anteriormente.
O aumento previsto deverá vir principalmente de fora da aliança Opep+, já que o conflito força os principais produtores do Golfo a reduzir a produção.
Em março, a oferta deve cair 8 milhões de bpd, para 98,8 milhões de bpd, nível mais baixo desde o primeiro trimestre de 2022.
“A guerra no Oriente Médio está criando a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo”, afirmou a AIE, acrescentando que, no mês passado, o suprimento mundial cresceu apenas 380 mil bpd.
O Estreito de Ormuz — rota vital por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo — permanece efetivamente fechado. O Irã tem atacado navios cargueiros e infraestrutura energética-chave na região. Produtores importantes, como Kuwait e Iraque, começaram a cortar a produção, enquanto a Arábia Saudita redireciona fluxos para canais alternativos.
No lado da demanda, a AIE cortou sua projeção global de crescimento para 2026, de 850 mil bpd para 640 mil bpd, à medida que as incertezas do conflito e a consequente alta do petróleo pesam sobre o consumo. Apenas para março e abril, a agência reduziu sua estimativa de avanço da demanda em cerca de 1 milhão de barris.
Ontem, a AIE anunciou a liberação de um volume recorde de 400 milhões de barris de reservas emergenciais, em resposta aos impactos da guerra no Oriente Médio.