Alphabet aposta em títulos de dívida para financiar corrida pela IA e planeja bond com vencimento em 100 anos
A Alphabet (GOOGL), holding que controla o Google, está nos holofotes do mercado por uma nova movimentação ambiciosa: a empresa decidiu apostar em títulos de dívida para financiar os investimentos bilionários em inteligência artificial.
Ontem (9), a empresa fez a emissão de US$ 20 bilhões em títulos de dívida nos Estados Unidos, ante uma previsão inicial de US$ 15 bilhões, devido à alta demanda dos investidores. O lançamento foi feito em sete tranches, com vencimentos entre 2029 e 2066.
Para além do mercado norte-americano, a Alphabet também planeja lançar títulos em libras esterlinas e francos suíços, incluindo um bond com vencimento em 100 anos. É a primeira vez que uma empresa de tecnologia realiza uma oferta com um prazo tão longo desde o final da década de 1990, época da bolha da internet.
A estratégia vem num momento em que as grandes empresas de tecnologia estão aumentando os gastos para o desenvolvimento da inteligência artificial. Na semana passada, a Alphabet divulgou um plano de investir até US$ 185 bilhões neste ano, o dobro do valor de 2025.
De acordo com o Morgan Stanley, as big techs devem captar US$ 400 bilhões em 2026, muito acima de US$ 165 bilhões no ano anterior. A expectativa é de recorde de emissão de dívidas de alta qualidade.
Essa tendência preocupa estrategistas de crédito do JPMorgan, que apontam alta na percepção de risco do mercado, pressionando o desempenho dos títulos emitidos.
No ano passado, a Alphabet realizou um movimento similar no mercado de títulos dos Estados Unidos, ao vender títulos com vencimento em 50 anos, prazo mais longo de uma empresa de tecnologia em 2025. Na Europa, a companhia chegou a emitir € 6,5 bilhões em dívidas corporativas.
A Alphabet divulgou uma receita de US$ 113,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, superando as expectativas do mercado e representando um aumento de 18% em relação ao ano anterior.
* Com informações de MarketWatch e Bloomberg. Sob supervisão de Maria Carolina Abe