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Alta do etanol e dependência menor de terceiros, partes do “compre Cosan” do BTG

30/07/2019 - 15:59
Etanol da cana segue com vantagem e melhora perspectivas das empresas do setor (Imagem: Pixabay)

Os valores pagos nas usinas ao etanol hidratado cresceram mais de 3% na semana de 22 a 26 de julho, numa curva de alta em plena safra mais alcooleira explicada por outra curva de alta no consumo. Com a Cosan (CSAN3) carregando seu próprio combustível, portanto dependendo de menos compras de terceiros, numa escala de logística da Raízen que divide com a sócia Shell, são fatores que podem explicar, em parte, a recomendação de compra que o BTG fez hoje (30).

A competitividade do biocombustível segue tranquila. O País vai assegurando a faixa de 1,8 bilhão de litros/mês (média de 1,5 bilhão em 2018) em consumo, apesar de um volume de cana menor. Desde a última entressafra a situação é favorável. Não há expectativa de uma reviravolta nos preços do barril do petróleo, fazendo-o despencar e oferecer a opção mais barata da gasolina no mercado interno.

A Cosan vai deverá moer menos na atual safra, em torno de 59 milhões de toneladas (projeta mais 3 milhões/ para 19/20), mas manterá a liderança mundial juntando tudo que as 26 usinas entregam.

A estimativa de etanol está acima de 2,5 bilhões de litros.

A top pick do setor de distribuição, que o BTG “compra” com base em dados financeiros do segundo trimestre, vai sentir também, como o resto do setor, uma cana de menor qualidade mais acentuada do que a de meio da safra e menor produtividade daqui para frente, mas não deverá ter problemas de estoques.

De acordo com algumas fontes vendedoras de etanol para o grupo, para completar com o mix produzido, a relação comercial favorece a compradora, mesmo em momentos de alta do etanol na porta da unidade.

A capilaridade das usinas e bases de tancagem, receptoras do produto de fornecedores, perto das redes de postos, oferecem mais musculatura à distribuição.

A BR Distribuidora (BRDT3) raspou os estoques e busca 100% no mercado produtor. O etanol confirmando o apetite dos consumidores, o que deve acontecer, a BR vai ter mais custo daqui para frente ao adquiri-lo, mesmo com a sinergia na distribuição com os derivados de petróleo.

Se o biocombustível está em alta quase no pico de safra, na curva de decadência os preços deverão ser maiores, especialmente a partir de setembro, como Money Times já informou (26/07).

Estes influenciadores dos resultados operacionais podem aparecer no guidance da BR e Ultrapar (UGPA3), holding da Ipiranga, daí também podendo justificar parte do por que o BTG deu neutro para a primeira e sugere a venda de ações da segunda.

Última atualização por Giovanni Lorenzon - 30/07/2019 - 17:32