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Análise: Investir com foco na responsabilidade social é lucrativo?

25/09/2019 - 8:51
Fórum para Investimentos Sustentáveis Responsáveis estima que, dos US$ 46,6 trilhões, US$ 12 trilhões incorporam critérios ambientais (Imagem: Pixabay)

Dos US$ 46,6 trilhões administrados profissionalmente nos EUA hoje em dia, o Fórum para Investimentos Sustentáveis e Responsáveis estima que cerca de US$ 12 trilhões, ou 26%, incorporam critérios ambientais, sociais e de governança na escolha dos ativos. Embora tenha havido um crescimento no número de novos fundos com cotas negociadas em bolsa (ETFs) que seguem investimentos responsáveis e sustentáveis no ano passado – alguns dos quais inclusive registraram o dobro ou o triplo de entrada de recursos –, será que esses investimentos oferecem os mesmos retornos dos investimentos convencionais e não restritos?

Para quem não conhece o conceito de investimento socialmente responsável, trata-se de uma aplicação que leva em conta não só os possíveis retornos financeiros, mas também o impacto social. Alguns fundos, como o Ariel Appreciation Fund Investor Class (CAAPX), concentram-se na seleção de negócios que atendam a determinados critérios sociais e ambientais. Outros, como o Calvert International Opportunities Fund Class A (CIOAX), buscam investir em empresas que tenham uma percepção positiva na sociedade. A maioria dos fundos, no entanto, faz uma seleção tanto negativa quanto positiva.

Fazer uma seleção negativa significa que os gestores dos fundos evitam investir em empresas cujas ações muitas vezes são chamadas de “prejudiciais”, como fabricantes de bebidas alcoólicas, tabaco, armas, etc. Também são evitadas empresas que já tenham se envolvido em algum tipo de escândalo de corrupção. A seleção positiva, por outro lado, busca investir em empresas com bom histórico em diretos humanos, proteção ambiental e oferta de oportunidades iguais de emprego.

O maior fundo global a incorporar critérios desse tipo é o Norwegian Wealth Fund, da Escandinávia, que é um fundo de pensão governamental com valor estimado em mais de US$ 1 trilhão. Trata-se, na verdade, de dois fundos separados: um é chamado de “fundo de petróleo“, que investe a receita excedente do setor petrolífero do país, e o segundo é o fundo de pensão governamental da Noruega, que investe em ações negociadas na Bolsa de Oslo.

O fundo, que tem como foco direitos humanos, mudança climática e transparência, possui empresas em sua lista negra, como Boeing (BA), British American Tobacco (BATS) e outras 150 companhias classificadas como antiéticas pelo Conselho de Ética da Noruega. Nos últimos cinco anos, os investimentos do Norwegian Wealth Fund em ações ficaram abaixo do mercado mundial, como mostra o Índice FTSE Global All Cap. Embora o índice tenha gerado um retorno de 39,6% entre 2014 e 2018, o fundo norueguês retornou apenas 31,6%.

No entanto, o investimento socialmente responsável não se limita a governos. Emissores de ETFs criaram uma variedade de instrumentos disponíveis para investidores institucionais e de varejo. O Parnassus Core Equity Fund (PRBLX), que está disponível separadamente para investidores de varejo e institucionais (PRILX), conta com US $17 bilhões em ativos sob gestão.

Seus três principais papéis são Microsoft (MSFT), Disney (DIS) e Linde (LIN), uma empresa química irlandesa conhecida por seguir os princípios do investimento socialmente responsável. Nos últimos dez anos, esse fundo gerou um retorno de 407%, em comparação com os 426% do índice de referência Russell 1000.

Fundo Parnassus
Fundo Parnassus

A diferença de 19% ao longo de uma década não pode ser caracterizada como um desempenho muito inferior.Tampouco a diferença entre os retornos do Parnassus e do índice FTSE, embora alguns possam dizer que a perda de 19% ou mesmo 9% nos ganhos ao longo de anos poderia representar uma quantia bastante expressiva.

Da mesma forma, o fundo de investimento responsável U.S. Large Cap Core Responsible Index Fund (CISIX) apresentou bom desempenho. Ele também segue de perto o Russell 1000. Os três principais papéis do CISIX são Microsoft (MSFT), Apple (AAPL) e Amazon (AMZN). Em razão da variedade de reclamações com as condições de trabalho na Amazon que surgiram nos últimos anos, é bom lembrar que os critérios de seleção de um fundo podem variar em relação aos do investidor individual.

Nos últimos dez anos, seu desempenho superou o mercado em 0,2%. Novos ETFs socialmente responsáveis de emissores estabelecidos também estão no centro das atenções, entre eles se destaca o iShares ESG MSCI USA Leaders ETF (SUSL) que, com apenas dois meses de criação, já atraiu US$ 1,5 bilhão em ativos, tornando-o um dos lançamentos de ETFs mais bem-sucedidos da história. De maneira geral, a indústria de ETFs socialmente responsáveis está crescendo rapidamente e, atualmente, todas as grandes empresas de investimento estão oferecendo instrumentos desse tipo para seus clientes.

Estudos acadêmicos corroboram o fato de que não parece haver uma diferença estatisticamente relevante entre os retornos de investimentos convencionais e os retornos de investimentos socialmente responsáveis, em condições iguais. Em 2006, Meir Statman, um pesquisador da Universidade de Santa Clara comparou o desempenho de quatro índices socialmente responsáveis — Índice Social Domini 400, o Índice Social Calvert, o Índice de Cidadania (Citizen Index) e o Índice de Sustentabilidade Dow Jones — com os retornos do S&P 500 de 1990 a 2004. Ele descobriu que os índices socialmente responsáveis tiveram um desempenho melhor do que o S&P, embora os resultados não fossem estatisticamente relevantes para uma conclusão definitiva. Além disso, como ocorre com qualquer oportunidade de investimento, o desempenho passado não é indicativo de desempenho futuro.

Conclusão

Portanto, embora os retornos de investimentos socialmente responsáveis não tenham uma diferença estaticamente relevante em relação aos resultados dos investimentos convencionais, para alguns, esse novo tipo de investimento fornece uma dimensão não financeira que os investimentos convencionais não têm: a sensação de satisfação em ter uma participação em empresas que representem seus valores. Se isso fizer sentido para você, ainda que não haja um ganho financeiro significativo nos investimentos socialmente responsáveis, os acionistas não serão negativamente impactados por adotarem uma postura moral.

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Última atualização por Rafael Borges - 25/09/2019 - 8:55

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