Análise: um novo ‘desmaio’ de Flávio Bolsonaro e o ‘plot twist’ na reta final da campanha
Duas horas antes do tão esperado debate entre candidatos a presidente da República na Rede Globo, na noite desta quinta-feira (1), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) postou no X, o antigo Twitter, o atestado de óbito do que seria o único encontro entre ele e seus adversários no primeiro turno.
Já sabendo que Gilmar Mendes obrigara a emissora a convocar a metralhadora giratória Renan Santos (Missão) para debater com ele, Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), o senador desistiu de participar do debate.
Flávio Bolsonaro desistiu depois de confirmar a presença, há cinco dias, e de atacar seu maior adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por ele recusar o convite e trocar o debate por uma entrevista ao Flow Podcast.
Nos comentários à postagem de Flávio Bolsonaro, pululavam memes com a imagem do senador, há dez anos, passando mal e desmaiando durante outro debate, no caso para prefeitura do Rio de Janeiro, em agosto 2016, por uma alegada intoxicação alimentar.
O novo “desmaio” de Flávio Bolsonaro no único encontro em que poderia participar no primeiro turno, logo foi ligado à temida presença de Renan Santos, apontado como o adversário que teria capacidade de atacá-lo, sem dó e sem nada a perder (ou ganhar), no encontro. Renan foi a nova intoxicação alimentar de Flávio Bolsonaro.
No final, sem o senador, que poderia garantir uma audiência à emissora, a própria Globo cancelou o tão esperado encontro dos presidenciáveis. Alegou “insegurança jurídica” e seguiu com sua programação normal.
Sobraram justificativas para Flávio Bolsonaro, em uma live com 500 mil seguidores, e lamentações dos adversários nas redes sociais, com mais lives e declarações enviadas por assessorias após o cancelamento.
Ao mesmo tempo, Lula, ainda líder nas pesquisas, atacava seu principal adversário no Flow, um podcast do nível da Globo para o YouTube no Brasil, com 6,42 milhões de inscritos, em uma entrevista com picos de audiência de mais de 1,5 milhão de espectadores, três vezes mais que a live do principal adversário.
Na entrevista, nenhuma novidade. Além dos ataques a Flávio Bolsonaro e ao pai, Jair Bolsonaro, seu antecessor, Lula fez mais um discurso de presidente, ou um comício de candidato, como tantos outros durante seus três mandatos e anos de campanha. Citou suas realizações, programas sociais do governo federal e comparou-os aos governos anteriores.
Mas, no final, há três dias do primeiro turno, só o presidente falou para a massa.
Um “plot twist”, uma reviravolta na trama, que pode não significar nada nas urnas. Mas episódios que devem entrar para a história eleitoral do País.