Cotações por TradingView
Cotações por TradingView
Cotações por TradingView
Cotações por TradingView
Leia os avisos legais em avenue.us. Intermediação Coin DTVM

Anvisa aprova uso emergencial de vacinas CoronaVac e da AstraZeneca

17/01/2021 - 19:02
Os diretores da Anvisa ressaltaram em seus votos o caráter emergencial e temporário, ressaltando a importância de se manter o acompanhamento do desenvolvimento das vacinas (Divulgação/ Anvisa)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade o uso emergencial das vacinas da AstraZeneca e da Sinovac contra o coronavírus, em reunião neste domingo, abrindo caminho para o início da imunização no Brasil contra uma doença que já deixou quase 210 mil mortos.

Pouco depois da aprovação pela Anvisa, a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, tornou-se a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil. Ela foi voluntária nos testes da vacina da chinesa Sinovac.

“Vamos nos vacinar, não tenham medo”, disse Mônica. “É a grande chance que a gente tem de salvar mais vidas.”

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou em entrevista à imprensa que a aplicação da vacina em São Paulo foi “em desacordo com a lei”, uma vez que medida provisória do governo federal determinou que cabe ao Ministério da Saúde coordenar nacionalmente a imunização contra o coronavírus.

Pazuello anunciou que o plano nacional será lançado às 10h de quarta-feira, simultaneamente, em todos os Estados brasileiro, após a distribuição das doses pelo ministério a partir de segunda-feira. Ainda não foi anunciado, no entanto, como ocorrerá a vacinação em cada local.

“Significa um passo importante para o controle da pandemia. Entretanto, precisamos que seja explicitada a logística da imunização”, disse o epidemiologista Roberto Medronho, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Na reunião da Anvisa, os cinco diretores da agência votaram a favor do uso emergencial de 6 milhões de doses da CoronaVac importadas da China pelo Instituto Butantan e de 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, que serão importadas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Somente a vacina do Butantan, no entanto, está disponível para aplicação imediata na população no momento, uma vez que houve atraso na importação das doses da vacina da AstraZeneca da Índia. O ministro Pazuello afirmou neste domingo estar confiante de que as vacinas da Índia chegarão esta semana.

Sem ter a vacina da AstraZeneca, o Ministério da Saúde solicitou ao Instituto Butantan a “entrega imediata” das doses da CoronaVac para o início da imunização nacional, mas o governo paulista alega ser praxe que parte das vacinas do Butantan permaneça no Estado para a vacinação no Estado.

O governador Doria afirmou que determinou que o Butantan entregue imediatamente após a aprovação as vacinas ao Ministério da Saúde. Segundo o instituto, serão entregues 4,63 milhões de doses e outras 1,35 milhão de doses ficarão no próprio Estado, conforme estabelecido pelo ministério, de acordo com o instituto.

“É a única vacina que existe no Brasil porque São Paulo fez, porque São Paulo agiu”, disse Doria.

João Doria
O governador de São Paulo, João Doria, afirmou que determinou que o Butantan entregue imediatamente após a aprovação as doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde (Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli)

“SEGURANÇA NACIONAL”

Os diretores da Anvisa ressaltaram em seus votos o caráter emergencial e temporário, ressaltando a importância de se manter o acompanhamento do desenvolvimento das vacinas, mas destacaram o papel importante da imunização para enfrentar a pandemia, no momento em que o Brasil enfrenta uma segunda onda, com mais de 1 mil mortes por dia nos últimos cinco dias.

“Os benefícios conhecidos e potenciais dessas vacinas superam seus riscos”, disse a diretora relatora, Meiruze Freitas, em seu voto. “A acesso às vacinas e à proteção que elas podem conferir é questão de segurança nacional, beneficiando diretamente os profissionais de saúde, seus pacientes, familiares, comunidade e a saúde geral do país”.

No caso da CoronaVac, a relatora impôs como condição para o uso emergencial a assinatura pelo Instituto Butantan, autor do pedido, de um termo de compromisso para apresentação de mais dados sobre a vacina até 28 de fevereiro.

De acordo com o diretor presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, a vacinação com a CoronaVac só poderia ser iniciada após a assinatura do termo, com subsequente publicação no Diário Oficial da União.

“Quando há necessidade de termo de compromisso, e é o que a diretora relatora aponta sobre o protocolo de desenvolvimento da CoronaVac, haverá a assinatura desse termo e consequente publicação no Diário Oficial da União para que os efeitos possam se produzir”, disse Torres durante a reunião da Anvisa.

O presidente do Butantan, Dimas Covas, disse que enviou o termo assinado já neste domingo. De acordo com o governo estadual paulista, não houve qualquer irregularidade no ato de se iniciar a vacinação no Estado após a aprovação do uso emergencial pela Anvisa.

Os diretores da Anvisa também ressaltaram que, apesar da aprovação do uso emergencial, é fundamental que a população adote as medidas preventivas, como o distanciamento social e o uso de máscaras.

A aprovação da Anvisa se deu após recomendação favorável da área técnica da agência a ambos os imunizantes, ressaltando que, apesar do caráter emergencial, o atual cenário da pandemia e a ausência de tratamentos disponíveis justificam o início da vacinação.

O posicionamento da Anvisa contrariou as afirmações do Ministério da Saúde de que o tratamento precoce com medicamentos como cloroquina e ivermectina, que não tem eficácia comprovada, seriam eficientes contra a Covid-19.

“Ficou muito claro no posicionamento da Anvisa que o dito tratamento precoce do Ministério da Saúde não encontra respaldo na literatura médica, não tem comprovação científica de eficácia, fortalecendo ainda mais a imediata introdução das vacinas na agenda do enfrentamento à Covid no Brasil”, disse Alexandre Naime, chefe do Departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado financeiro?

Receba de segunda a sexta as principais notícias e análises. É grátis!
Autorizo o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Última atualização por Diana Cheng - 17/01/2021 - 19:02