Anvisa tira panetone da mesa após identificar fungos e barra fórmulas infantis da Nestlé
Não é todo dia que um panetone vira caso de vigilância sanitária fora do calendário natalino, mas foi exatamente isso que aconteceu nesta semana. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da venda, distribuição e consumo de quatro lotes de panetones após a identificação de fungos na superfície dos produtos. A decisão inclui o recolhimento imediato dos itens.
Os produtos são fabricados pela D’Viez Indústria e Comércio de Chocolates Finos e, segundo a própria empresa, o recolhimento dos lotes foi comunicado de forma voluntária.
A agência anunciou também a proibição da comercialização, distribuição e uso de alguns lotes de fórmulas infantis da Nestlé Brasil.
Quais panetones saíram de circulação
A medida da Anvisa é pontual e atinge apenas o lote 251027, com validade até 27 de fevereiro de 2026, dos seguintes produtos:
- Mini Panetone com Gotas de Chocolate Trufado Tradicional (140g)
- Panetone Nossa Língua Trufado com Bombons “Formato de Língua de Gato” (700g)
- Panetone com Gotas de Chocolate Trufado Tradicional (700g)
- Panetone com Frutas Trufado Tradicional (700g)
Outros lotes da marca não foram incluídos na proibição.
O problema não parou no panetone
No mesmo pacote de decisões, a Anvisa avançou sobre outro tipo de produto que tem ganhado espaço nas prateleiras: alimentos com apelo “funcional” e ingredientes exóticos.
Itens fabricados pela Coguvita II Alimentos foram totalmente proibidos, em todos os lotes. A lista inclui pastas, barras, granolas e cápsulas de café das marcas Smush, Smushnuts, Smushn Go e Smushnola.
O motivo? Dois cogumelos bastante populares no marketing de bem-estar — Lion’s Mane e Cordyceps — não tiveram sua segurança avaliada para uso em alimentos no Brasil.
Promessas demais, ciência de menos
Além do ingrediente em si, a Anvisa também apontou irregularidades na divulgação desses produtos.
As embalagens e campanhas associavam o consumo a benefícios como melhora da memória, do foco, da saúde mental e da imunidade, sem respaldo científico aprovado.
A regra do jogo é simples, embora nem sempre respeitada: alegações de saúde em alimentos só podem existir após análise e autorização do órgão regulador. Não basta parecer saudável, é preciso provar.
Fórmulas infantis da Nestlé Brasil proibidas: o que aconteceu
Segundo a Anvisa, a medida atinge lotes das seguintes fórmulas infantis:
- Nestogeno
- Nan Supreme Pro
- Nanlac Supreme Pro
- Nanlac Comfor
- Nan Sensitive
- Alfamino
O motivo da proibição é o risco de contaminação por cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus.
Em nota, a agência alertou que o consumo de alimentos contaminados por essa toxina pode causar vômito persistente, diarreia e letargia — quadro caracterizado por sonolência excessiva, lentidão de movimentos e raciocínio e dificuldade de reação.
Recall internacional e reação no Brasil
Na terça-feira (6), a própria Nestlé anunciou um recall de fórmulas infantis em 25 países, principalmente na Europa. Hoje (7), a Nestlé Brasil confirmou a extensão do recall ao mercado brasileiro.
Em comunicado oficial, a empresa orientou que consumidores que tenham produtos dos lotes afetados suspendam imediatamente o uso e entrem em contato com o atendimento ao consumidor para devolução e reembolso integral.
A Nestlé afirmou ainda que adota “rigorosos padrões de controle de qualidade e rastreabilidade”, que passam por aprimoramento contínuo para prevenir inconformidades.
O que o consumidor deve fazer agora
A orientação da Anvisa é clara para todos os casos:
- interromper imediatamente o consumo dos produtos citados;
- seguir as instruções de recolhimento, devolução ou reembolso fornecidas pelas empresas;
- em caso de dúvida, buscar os canais oficiais da Anvisa ou dos fabricantes.