Os próximos passos da política monetária vão depender da evolução do cenário, principalmente a reancoragem das expectativas, avalia a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória. A indicação do comunicado é de manutenção da taxa no atual patamar restritivo por mais tempo.
No balanço de risco, Vitória ressalta que o Copom manteve os fatores de risco da reunião anterior, mas incluiu entre os riscos de alta a “conjunção das políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário”, que resulta da desvalorização cambial.
A economista diz ainda que a avaliação do impacto da política fiscal permanece fora do balanço de riscos, mas o Copom ainda ressalta a necessidade do compromisso com a sustentabilidade da dívida pública para a reancoragem das expectativas.
A projeção do BC para a a inflação de 2024 subiu de 4,0% para 4,2%, e de 3,4% para 3,6% para 2025. O Copom manteve o cenário alternativo, que seria a manutenção da Selic em 10,50% até 2025, e que resultaria em IPCA em 3,4% em 2025 — ou seja, uma convergência mais rápida da inflação.
“Mantemos nossa expectativa de manutenção da Selic em 10,5% por um prazo prolongado. Uma eventual alta de juros poderia ser considerada caso ocorra uma reaceleração da inflação e piora nas expectativas, o que poderia ser resultado de nova deterioração fiscal, como revisão das metas e impacto no câmbio”.
Por outro lado, Vitória diz que uma retomada dos cortes em 2025 continua no radar, caso o governo volte a apresentar controle do crescimento de gastos públicos, em linha com o cumprimento da meta fiscal, o que iria beneficiar a trajetória de desinflação e aliviar o prêmio de risco nos ativos.