Mercados

Após 1º turno, Gavekal vê espaço para reprecificação do Brasil, com país podendo deixar América Latina mais ‘investível’

07 out 2026, 13:27
brasil economia investimentos bolsa ibovespa
Imagem: iStock / @Gilnature

O resultado do primeiro turno das eleições brasileiras provocou uma forte reação nos mercados financeiros e pode representar o início de um movimento mais amplo de valorização dos ativos do Brasil, na avaliação da Gavekal Research.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em relatório intitulado The Bolsonaro Swing, a casa de análise destaca a reação positiva de ações, câmbio e renda fixa após a votação e afirma que o resultado eleitoral pode abrir espaço tanto para o retorno de recursos de brasileiros mantidos no exterior quanto para uma maior alocação de capital estrangeiro no país. “O mercado claramente gostou do resultado das eleições brasileiras”, observa a Gavekal.

Segundo a análise, as ações da Petrobras (PETR4) avançaram 10%, enquanto o ETF brasileiro EWZ, também conhecido como “Ibovespa em dólar” subiu 12,5%. O real se valorizou 4,6% e os rendimentos dos títulos brasileiros recuaram 133 pontos-base.

A reação dos mercados ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os dois avançarem para o segundo turno. Flávio recebeu 47% dos votos, contra pouco mais de 45% de Lula, segundo dados eleitorais reportados após a votação.

Uma grande guinada à direita

Para a Gavekal, o resultado brasileiro deve ser entendido dentro de um movimento político mais amplo observado na América Latina.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A casa classifica o fenômeno como “uma grande guinada à direita”, citando movimentos recentes em países como El Salvador, Argentina, Chile, Equador, Peru e Colômbia.

A análise também chama atenção para o desempenho do grupo político ligado à família Bolsonaro nas eleições legislativas. Segundo a Gavekal, o partido de Bolsonaro deverá ter uma presença particularmente relevante no Senado.

O relatório destaca ainda a eleição de integrantes da família Bolsonaro para diferentes cargos e afirma que o resultado fortaleceu a perspectiva de continuidade da influência política do grupo.

Incumbentes enfrentam ambiente mais difícil

Um dos principais pontos levantados pela casa de análise é a dificuldade crescente enfrentada por governos incumbentes para conquistar a reeleição em democracias ocidentais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Gavekal reconhece que há exceções recentes, citando eleições em países como Dinamarca, Austrália, Noruega e Letônia. Ainda assim, a casa argumenta que, desde a aceleração da inflação global após a pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia, governos que já estão no poder têm enfrentado um ambiente eleitoral mais adverso.

“Desde que a inflação global começou a acelerar […], vencer a reeleição se tornou mais desafiador”, avalia a casa.

Para a Gavekal, uma das possíveis explicações seria o desgaste provocado pela inflação sobre os eleitores. A casa chega a classificar a inflação como uma espécie de “criptonita política” para governos incumbentes.

Outro fator apontado é o papel das redes sociais, que teriam tornado mais difícil para políticos controlar as narrativas durante os processos eleitorais.

Processos judiciais contra adversários podem ter efeito contrário

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Gavekal também analisa o impacto de processos judiciais envolvendo adversários políticos.

Na avaliação da casa, em algumas democracias ocidentais, medidas judiciais contra figuras políticas podem produzir um efeito contrário ao esperado.

O relatório cita Donald Trump e Flávio Bolsonaro como exemplos de políticos que tiveram desempenho eleitoral superior ao obtido em disputas anteriores por seus respectivos grupos políticos.

A casa, porém, reconhece que a dinâmica não é universal e menciona casos em que decisões judiciais tiveram impacto relevante sobre disputas eleitorais, como na Romênia e na França.

Brasileiros ricos podem repatriar recursos

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Outro ponto central do relatório é o possível retorno ao Brasil de recursos mantidos por brasileiros no exterior.

A Gavekal argumenta que, na América Latina, existe uma associação relativamente forte entre patrimônio e posicionamento político, embora reconheça que essa relação não seja perfeita.

Segundo a casa, quando governos de esquerda assumem o poder na região, é comum que investidores e famílias de maior patrimônio transfiram parte de seus recursos e, em alguns casos, membros da família para outros países. “Quando a direita retorna ao poder, o dinheiro então volta para casa”, afirma a Gavekal.

O relatório cita destinos como Miami, Montevidéu e Madri como exemplos de locais que historicamente recebem capital latino-americano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A leitura é relevante para o Brasil porque uma eventual mudança na percepção dos investidores sobre o ambiente político e econômico poderia estimular a repatriação de recursos.

Brasil pode deixar América Latina mais “investível”

Na avaliação da Gavekal, porém, o impacto potencial vai além do capital brasileiro.

A casa afirma que a América Latina já vinha apresentando uma combinação favorável para investidores, com queda dos rendimentos dos títulos, valorização das moedas, alta dos preços dos ativos e crescimento doméstico.

O problema, segundo a análise, era o tamanho relativamente reduzido de muitos mercados da região, o que dificultava a entrada de grandes investidores institucionais. “O Brasil, de longe o mercado mais relevante da região”, pode mudar essa dinâmica, afirma a Gavekal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Caso o país passe a ser percebido como parte do movimento de alta dos mercados latino-americanos, a casa acredita que as alocações de investidores estrangeiros podem aumentar de maneira significativa.

A visão é particularmente relevante porque grandes gestores globais precisam de mercados com escala e liquidez suficientes para justificar posições maiores.

Brasil tem espaço para reprecificação

Apesar da forte reação dos ativos brasileiros após o primeiro turno, a Gavekal avalia que ainda existe espaço para uma reprecificação. “O Brasil tem muito terreno para recuperar”, afirma a casa.

Segundo o relatório, os juros brasileiros continuam elevados, enquanto o real e as ações do país ainda estariam baratos na comparação com seus potenciais de valorização.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A conclusão da Gavekal é que a eleição pode representar o início de um processo de rerating dos ativos brasileiros — ou seja, uma mudança na percepção dos investidores que leve a uma expansão dos múltiplos e a uma valorização dos preços.

“O resultado deste fim de semana parece ser o tiro de largada para uma reprecificação de um mercado importante, mas em grande parte esquecido”, conclui a casa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar