Após 26 anos de negociações, Mercosul e União Europeia firmam acordo comercial
Depois de 26 anos de negociação, representantes do Mercosul e da União Europeia (UE) assinaram, na tarde deste sábado (17), um acordo de livre comércio entre os dois blocos de integração regional.
O tratado foi oficialmente firmado durante evento realizado em Assunção, no Paraguai, país que exerce a presidência temporária do Mercosul desde dezembro do ano passado.
A assinatura marca o encerramento das tratativas técnicas e políticas iniciadas em junho de 1999, quando começaram as discussões sobre os termos do acordo.
O pacto é o mais relevante já firmado pelo Mercosul em termos de acesso a mercados e dará origem à maior área de livre comércio do mundo.
Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões, segundo informações do Estadão Conteúdo.
A cerimônia contou com a presença de representantes dos países-membros, como os presidentes Javier Milei, da Argentina, Rodrigo Paz, da Bolívia, Santiago Peña, do Paraguai, além de representantes da cúpula europeia, como Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.
Ursula Von der Leyen celebrou em sua conta no X (antigo Twitter) o evento de assinatura. “25 anos em construção. Acordo UE-Mercosul é a conquista de uma geração”, publicou a autoridade. “Viva a amizade entre nossos povos e nossos continentes”, complementou.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não participou do evento. O país foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Ainda assim, na manhã deste sábado (17), Lula afirmou que o acordo simboliza uma vitória do multilateralismo e trará benefícios às populações das duas regiões.
“Um marco histórico de fortalecimento do diálogo e do entendimento entre os blocos, que vai criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico”, escreveu em publicação no X.
O acordo
O pacto prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, abrangendo bens industriais, como máquinas, ferramentas e automóveis, e produtos agrícolas.
Após a assinatura feita neste sábado (17), o texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos países do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial depende dessa aprovação legislativa e deve ocorrer de forma gradual.
A expectativa é que os efeitos práticos do acordo levem algum tempo para serem sentidos, à medida que as etapas de implementação avancem.
Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o tratado pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação das vendas externas e beneficiar a indústria nacional. Você pode conferir aqui os principais pontos do acordo.
*Com informações do Estadão Conteúdo e Agência Brasil