Cotações por TradingView
Cotações por TradingView
Fast

Após anos, ferramenta de pesquisa do Google está perdendo força

06/02/2020 - 12:51
A ferramenta de buscas do Google é um dos negócios mais lucrativos já criados, ajudando a empresa a acumular mais de US$ 100 bilhões (Imagem: Money Times/Gustavo Kahil)

Novos números da Alphabet divulgados esta semana confirmaram um grande temor que paira sobre a gigante da Internet há anos: o negócio de buscas on-line do Google está desacelerando.

Em seu balanço de 2019, a Alphabet dividiu a receita de publicidade em três grupos pela primeira vez: Search, YouTube e negócio de rede, que administra espaços de marketing em outros sites. As vendas de buscas cresceram 15% em 2019, um ritmo mais lento do que o ganho de 22% em 2018.

“Esse esvaziamento da pesquisa é real”, escreveu Mark Shmulik, analista do Sanford C. Bernstein, em relatório aos investidores após os resultados. Para manter o crescimento mesmo nesse nível mais baixo, o Google terá que gerar mais receita com o serviço Maps, busca de imagens e publicidade para pesquisas de compras, disse.

A ferramenta de buscas do Google é um dos negócios mais lucrativos já criados, ajudando a empresa a acumular mais de US$ 100 bilhões. Impulsionou o Google de uma garagem no Vale do Silício para se transformar em um gigante de trilhões de dólares que domina publicidade digital, vídeo on-line, mapas e e-mail.

As buscas cresceram rápido, já que mais pessoas ficam on-line procurando informações. Smartphones também aumentaram o uso, e a receita deu um salto depois que o Google carregou mais anúncios no topo dos resultados das buscas em celulares. Mas existem limites para a expansão de um negócio tão grande.

É difícil o Google colocar tantos anúncios no site sem diminuir a qualidade dos resultados da pesquisa. Nos celulares, os anúncios costumam preencher a tela inteira, forçando os usuários a deslizar para baixo se quiserem ver listagens gratuitas.

Ao longo dos anos, o Google usou vários ajustes para obter mais cliques nos anúncios atrelados às buscas. Mas pode haver limites para isso também. Recentemente, a empresa mudou a maneira como os anúncios são rotulados, o que levou a críticas de que estava mesclando publicidade e resultados gratuitos. A empresa rapidamente voltou atrás.

E menos pessoas estão entrando na Internet nos mercados de anúncios de buscas mais lucrativos. De 2017 a 2019, o número de usuários de Internet na Europa cresceu 10%, enquanto na América do Norte o crescimento foi de apenas 2%. Na Ásia, a população on-line aumentou 19%, segundo a empresa de agregação de dados Statista.

O Google desenvolveu um serviço de busca censurado para a China, o maior mercado de Internet do mundo, mas descartou o projeto depois que algumas autoridades e políticos dos EUA criticaram a iniciativa.

Alguns dos anúncios de buscas mais valiosos – aqueles para produtos específicos que as pessoas podem comprar – enfrentam concorrência, especialmente da Amazon.com. Agora, cerca de metade das buscas de produtos começa na Amazon, escreveu Shmulik, do Bernstein, em nota no início deste ano.

Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado financeiro?

Receba de segunda a sexta as principais notícias e análises. É grátis!

Isso estimulou o Google a criar outros tipos de anúncios atrelados a compras, mas isso não reverteu a desaceleração. Buscas sobre ideias de decoração e roupas também acontecem cada vez mais em redes sociais como Pinterest e Instagram. E milhões de pessoas buscam músicas no aplicativo móvel do Spotify, não no Google.

O Google trabalha duro para conseguir uma fatia de muitas dessas pesquisas mais especializadas. Ainda assim, o analista do Bernstein espera que o crescimento da receita diminua. Depois de aumentar 19% ao ano de 2015 a 2019, Shmulik estima que o crescimento anual da receita de buscas do Google fique entre 13% e 15% nos próximos anos.

Leia mais sobre: Empresas, Google, Internacional, Tecnologia

Última atualização por Vitória Fernandes - 06/02/2020 - 12:51