Após resultados fracos, Stone (STNE) demite cerca de 3% dos funcionários e elimina vagas de tecnologia
A Stone (STNE) promoveu uma rodada de demissões que afetou principalmente o setor de tecnologia da empresa de maquininhas, apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Segundo pessoas a par do assunto, os desligamentos atingiram cerca de 3% da força de trabalho da fintech, que tem aproximadamente 14 mil funcionários. As estimativas indicam que entre 300 e 400 pessoas foram desligadas.
O CEO do grupo, Mateus Scherer, que assumiu o cargo no começo deste mês, comunicou os cortes em uma mensagem disparada internamente.
De acordo com relatos de profissionais, a redução do quadro de trabalhadores foi apresentada como uma reestruturação em busca de maior eficiência.
A empresa teria indicado que o avanço em iniciativas de inteligência artificial também teria contribuído para a decisão, conforme uma pessoa com conhecimento do processo, que pediu anonimato.
Em nota, a Stone afirma ter feito um “ajuste pontual” na estrutura como parte de um processo contínuo de simplificação e ganho de eficiência.
As operações seguem normalmente, sem impacto para clientes ou parceiros, de acordo com o comunicado.
O anúncio de demissões acontece após a Stone publicar dados operacionais relativamente mais fracos do que o esperado.
A empresa divulgou que teve lucro líquido ajustado de R$ 707 milhões no quarto trimestre, alta de 12% na comparação com o mesmo período de 2024, abaixo da média de previsões de analistas compilada pela LSEG, de R$ 743 milhões.
Reação às demissões da Stone (STNE)
Também em nota, o Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (SINDPD-SP) repudiou as demissões em massa promovidas pela Stone.
A entidade cita entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que desligamentos desse tipo devem ser precedidos de negociações com o sindicato representativo da categoria.
“Ao ignorar esse princípio e realizar cortes em massa durante o período de negociação do acordo coletivo, a Stone afronta não apenas os trabalhadores atingidos, mas também o próprio sistema de relações de trabalho previsto na Constituição”, critica.
O sindicato acrescentou que acionará a Justiça do Trabalho e pedirá reintegração dos trabalhadores dispensados, diante do que chama de “evidente prática antissindical”.