Após sofrer com lançamento de IA da Anthropic, Totvs (TOTS3) reage
Depois de perder cerca de 20% em dois dias após o lançamento de uma nova ferramenta de inteligência artificial da Anthropic, voltada à automação de tarefas corporativas, a Totvs (TOTS3) anunciou sua própria estratégia para o avanço da IA no mercado empresarial brasileiro.
A reação veio por meio do lançamento do LYNN, descrito pela companhia como “o primeiro foundation de AI B2B do mercado brasileiro”. O movimento busca responder ao receio do mercado de que soluções generativas globais possam pressionar empresas tradicionais de software, ao automatizar funções antes executadas dentro de ERPs e sistemas corporativos.
A ferramenta da Anthropic, dona do modelo Claude, acendeu o alerta entre investidores ao mostrar que empresas de IA estão avançando sobre a chamada “camada de aplicação” — ou seja, diretamente sobre processos das companhias. Isso levantou dúvidas sobre o poder de precificação e a relevância futura de players locais como a Totvs.
Já um foundation de IA business to business, como o da Totvs, é uma base tecnológica que permite usar inteligência artificial dentro dos sistemas das empresas.
Não se trata de um chatbot aberto ao público. É uma estrutura integrada aos sistemas de gestão, com controle de dados, regras internas e segurança. No fato relevante, a Totvs afirma que o LYNN é “um foundation de AI de propósito específico”, voltado ao ambiente corporativo.
A proposta é usar IA para automatizar tarefas do dia a dia das empresas — como análises, validações e processos operacionais — diretamente dentro do ERP.
A aposta na IA “especializada”
A companhia destacou que aposta na chamada Artificial Narrow Intelligence (ANI), ou inteligência artificial especializada. Segundo o documento, “a ANI é o caminho para a adoção de AI pelas empresas, em particular no SMB”.
Diferente de modelos generalistas, que tentam executar múltiplas funções amplas, a ANI é desenvolvida para tarefas específicas. A Totvs afirma que, por ser especializada, a solução traz “mais acuracidade, desempenho, governança e segurança de dados, aliados a um custo menor”.
A tese da companhia é que, no ambiente corporativo, empresas não buscam uma IA criativa, mas uma ferramenta capaz de operar dentro das regras fiscais, financeiras e operacionais do seu sistema de gestão.
Ao destacar sua base de mais de 70 mil clientes e o controle do chamado “System of Record” — os sistemas onde ficam armazenados os dados financeiros, fiscais e operacionais das empresas — a Totvs argumenta que já está no “coração” das operações dos clientes. Para a companhia, essa posição estratégica facilita incorporar inteligência artificial diretamente aos processos, o que, segundo ela, “estende a liderança da Totvs para AI”.
Para acelerar a iniciativa, a Totvs estima intensificar os investimentos em cerca de R$ 75 milhões por ano nos próximos quatro anos, dentro de um total aproximado de R$ 600 milhões em desenvolvimento de software no período.
A monetização deve ocorrer por meio do modelo TaaS (Task as a Service), no qual a empresa passa a cobrar pela automação de tarefas específicas executadas pela IA.
Ao ampliar o uso do T-Cloud (sua infraestrutura própria em nuvem) e criar essa nova camada de serviços, a Totvs afirma que amplia seu mercado potencial — ou seja, pode vender mais para os mesmos clientes — reforçando seu papel como parceira tecnológica estratégica.
Se a forte correção recente refletiu o medo de que a IA global pudesse substituir partes do software corporativo, a mensagem da Totvs é: “Através do LYNN, a Totvs poderá fazer mais, com menos.”