Inflação

Após susto no IPCA-15, o que o mercado pode esperar da inflação de fevereiro?

11 mar 2026, 12:00 - atualizado em 11 mar 2026, 7:29
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(Imagem: inkdrop)

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, que será divulgado nesta quinta-feira (12), pode vir pressionado por itens voláteis, mas dificilmente repetirá a surpresa observada no IPCA-15 do mês passado.

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Segundo Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, a expectativa é de que o índice cheio mostre uma inflação mais elevada do que em janeiro, mas sem a mesma magnitude de surpresa vista na prévia.

“É possível que haja alguma surpresa, mas é improvável que seja da mesma magnitude do IPCA-15, por conta de itens que se repetem, como passagem aérea”, afirma. Ainda assim, a estrategista não descarta variações inesperadas em componentes mais voláteis do índice, como higiene pessoal e serviços podem trazer alguma surpresa.

No último dia 27, a prévia da inflação, medida pelo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,84% em fevereiro, segundo dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,10%.

A expectativa da casa é de que o dado apresente uma alta de 0,61% em fevereiro, o que deve levar a uma inflação acumulada em 12 meses para 3,72%, representando uma desaceleração de 72 pontos-base frente ao resultado de janeiro, quando acumulou 4,44%.

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Inflação longe de estar “acomodada”

Apesar da inflação acumulada em 12 meses dar sinais de desaceleração no início do ano, a avaliação da Warren é que o movimento não reflete necessariamente uma melhora estrutural do quadro inflacionário.

“Na nossa visão, não vemos um cenário de inflação muito acomodado”, diz Angelo. Segundo ela, a desaceleração observada no primeiro semestre tende a ser influenciada por efeitos estatísticos, já que os primeiros meses de 2025 tiveram variações mensais mais elevadas.

A projeção da casa é que a inflação em 12 meses volte a ganhar força no segundo semestre, especialmente por causa do grupo de serviços. “Projetamos que o IPCA em 12 meses voltará a se acelerar a partir do segundo semestre, com destaque para a acomodação dos serviços em patamar alto”, ressalta.

Para fevereiro, especificamente, parte das variações já divulgadas na prévia deve se repetir no índice cheio, devido à metodologia do IBGE.

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“Há diversos itens cuja variação repete no IPCA fechado o que foi divulgado no IPCA-15. Então devemos ver um índice mais pressionado em relação a janeiro.”

Alta dentro da sazonalidade

Mesmo com a aceleração no mês, a estrategista destaca que a projeção da Warren segue relativamente próxima da média histórica para fevereiro, mês que conta com reajustes sazonais.

Entre os grupos que mais devem pressionar o índice está Educação, que costuma concentrar reajustes no início do ano letivo. A Warren estima alta de 5,19% no grupo, com avanço de 6,16% nos cursos regulares.

Outro destaque deve vir de Transportes, especialmente por conta das passagens aéreas, que podem subir cerca de 11,6% no mês.

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“Passagem aérea é um item que costuma ter queda em fevereiro por conta do Carnaval, o que não ocorreu nesta divulgação”, avalia a estrategista. A casa projeta uma alta de 11,64% no item.

Na projeção, também há expectativa de que a o, a gasolina possa registrar queda, ficando em 0,50%, com o início dos efeitos da redução dos preços pela Petrobras em 27 de janeiro.

Guerra e petróleo podem afetar inflação já em março

Falando em gasolina, o cenário geopolítico também entra no radar da inflação brasileira. Para Angelo, os efeitos de uma eventual escalada das tensões internacionais podem começar a aparecer rapidamente nos índices de preços.

“Para o IPCA de março já deveremos observar uma maior pressão dos preços de gasolina em comparação com fevereiro, mesmo antes de anúncio de reajuste”, afirma.

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Isso porque refinarias privadas já vêm ajustando preços, o que começa a aparecer nas bombas. Caso haja um reajuste adicional pela Petrobras, o impacto pode ser relevante.

“Com eventual reajuste da Petrobras nos próximos dias ou semanas, o efeito pode ser bem maior, de até 27 pontos-base no IPCA.”

No geral, para o cenário de IPCA em 2026, a Warren projeta uma dinâmica semelhante: algum alívio inicial seguido de nova aceleração. Por isso, a expectativa é de que o ano termine em 4,3% – uma das projeções mais altas entre as consultados pelo Money Times.

Para comparação, a inflação projetada pela mediana dos economistas ouvidos pelo Banco Central no último Relatório Focus é de 3,91%.

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Segundo, Angelo, entre os fatores de pressão, ela destaca os preços de alimentos. “Neste ano, alimentação no domicílio será mais pressionada por proteínas e alimentos in natura do que no ano passado”.

Os núcleos de inflação, por sua vez, devem terminar o ano ligeiramente abaixo do observado em 2025, mas ainda em nível elevado. “A taxa anual ainda deve permanecer acima de 4%, o que indica uma inflação ainda resistente”.

O que muda para o Copom

Para a próxima decisão de juros, que acontece no dia 18 de março, um IPCA em linha com as expectativas não deve alterar significativamente o cenário base do Banco Central.

No último Relatório de Política Monetária, o BC já projetava inflação de 0,60% para fevereiro, valor muito próximo das estimativas da Warren.

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Mesmo assim, dois fatores recentes acenderam um sinal amarelo para a autoridade monetária: “O IPCA-15 e a alta do petróleo Brent acendem alertas para as próximas divulgações”, afirma Angelo.

Segundo ela, esse cenário pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a adotar maior cautela na comunicação sobre os próximos passos da política monetária.

“Isso pode levar o Copom a calibrar a velocidade dos cortes futuros da Selic”.

A expectativa da casa é que na próxima reunião o colegiado opte por um corte de 50 pontos percentuais e a Selic finalize 2026 em 12%.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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