BBA sai em defesa da Totvs (TOTS3) após queda por temor do “avanço da IA”
Depois de despencar cerca de 20% em dois dias com o aumento do temor global sobre o impacto da inteligência artificial no setor de softwares, as ações da Totvs (TOTS3) continuam sob escrutínio de investidores. E, ao menos na avaliação do Itaú BBA, a queda recente parece ter sido muito mais técnica do que fundamental.
O gatilho imediato para o movimento das ações foi o lançamento de novas ferramentas da Anthropic, dona do Claude, capazes de automatizar tarefas corporativas em áreas como jurídico, marketing, vendas e análise de dados — justamente segmentos onde empresas de software corporativo, como a Totvs, constroem boa parte do seu valor.
O episódio reforçou o debate global sobre o avanço da IA na chamada “camada de aplicação” e levantou dúvidas sobre possíveis pressões futuras sobre modelos de negócio tradicionais.
Mas, segundo o Itaú, o sell-off recente precisa ser visto dentro de um contexto mais amplo do setor global. “Recebemos muitas perguntas de investidores locais e internacionais sobre a queda acentuada da Totvs. A conclusão foi consistente: os fundamentos não mudaram, enquanto o sentimento global e os fluxos internacionais mudaram”, escreveram os analistas, liderados por Maria Clara Inantozzi, em relatório divulgado nesta quinta-feira (5).
Na leitura do banco, o pano de fundo é um debate estrutural que já vinha se formando e ganhou força agora. “O software global vem sendo reprecificado por causa de um debate estrutural: a deflação de custos impulsionada por IA reduz barreiras de entrada e pressiona o prêmio de visibilidade do setor”, afirma o Itaú.
Os analistas destacam ainda que o lançamento recente da Anthropic funcionou como catalisador para esse movimento. “O rollout das novas soluções do Claude reforçou os temores de que workflows baseados em agentes possam desintermediar partes da camada de aplicação”, escreveram.
Apesar disso, o banco reforça que a queda não reflete uma deterioração do negócio. “O ponto central é que os fundamentos permanecem sólidos. O que mudou foi o ambiente global e o posicionamento dos investidores”, dizem os analistas.
O Itaú lembra que o papel vinha resiliente frente aos pares internacionais e que a correção recente também está ligada a fatores técnicos. “A correção foi impulsionada por uma combinação de prêmio de valuation elevado, notícias mais fracas para o setor e um ambiente de maior aversão a risco”, afirma o relatório.
Outro ponto relevante é o perfil da base acionária. “Cerca de 90% dos acionistas da Totvs são estrangeiros”, destaca o banco, acrescentando que mudanças no fluxo internacional tendem a impactar diretamente o papel.
Mesmo com o ruído recente, no entanto, visão segue positiva. “Vemos uma assimetria positiva de risco-retorno para a ação nos níveis atuais”, dizem os analistas.
Na avaliação do time, o mercado pode estar exagerando ao precificar os riscos ligados à inteligência artificial. “Seguimos confiantes no potencial de crescimento de longo prazo da companhia, sustentado por investimentos em IA e pela expansão de serviços em nuvem”, afirma o banco.
Além disso, a própria natureza do negócio tende a proteger a Totvs. “A empresa parece mais protegida de ventos contrários da IA por causa dos altos custos de troca dos sistemas de ERP e de sua robusta cadeia de distribuição”, concluem os analistas.
O BBA tem recomendação outperform para os papéis da Totvs, com preço-alvo em R$ 60. Hoje, pelas 14h, a TOTS3 recuava 0,66%, a R$ 37,73.