Mercados

Aposta de Trump na Venezuela testa apetite dos investidores por risco geopolítico

05 jan 2026, 4:32 - atualizado em 05 jan 2026, 5:09
Trump Ucrânia
Após Venezuela, Trump também ameaça Colômbia, México e Groenlândia (Foto: Reuters/Aaron Schwartz)

Os mercados podem ter aparentemente ignorado a audaciosa captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, mas alguns investidores alertam que os riscos geopolíticos talvez estejam sendo subestimados após Donald Trump ameaçar novas ações nas Américas.

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Os investidores mantiveram a calma nesta segunda-feira (5), com as ações na Ásia disparando e os preços do petróleo caindo modestamente, embora fluxos de proteção tenham impulsionado o ouro, depois que o presidente Trump disse que os EUA assumiriam o controle do país produtor de petróleo.

Embora Washington não tenha feito uma intervenção tão direta na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, as ameaças de Trump contra Colômbia e México destacaram a mudança agressiva na política dos EUA e trouxeram os perigos geopolíticos de volta ao centro das atenções dos mercados financeiros no início do ano.

“Estamos sendo lembrados de que os riscos geopolíticos são muito maiores do que algum número aplicado sobre importações”, disse Vishnu Varathan, chefe de pesquisa macro para a Ásia (ex-Japão) no Mizuho Securities, em Singapura.

“O caso e a questão que ficam na cabeça são: a estabilidade mais ampla da América Latina está em risco? Se estiver, trata-se de uma proposição diferente, não é? Os efeitos em cadeia podem ser muito maiores”.

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Analistas e investidores disseram que a reação relativamente calma do mercado à captura de Maduro ocorreu porque a produção de petróleo da Venezuela, em relação à produção global, é pequena e seriam necessários anos de investimentos para que a produção se recuperasse.

Ainda assim, o impacto de longo alcance das ações militares pesará sobre o sentimento, embora o movimento possa destravar as vastas reservas de petróleo da Venezuela e impulsionar ativos de risco no longo prazo.

Empresas petrolíferas americanas estão preparadas para enfrentar a difícil tarefa de entrar na Venezuela e investir para restaurar a produção no país sul-americano, disse Trump.

“Deveria haver implicações geopolíticas mais amplas decorrentes deste evento, mas, na minha visão, os mercados financeiros não são muito eficientes em precificar esses riscos com precisão”, disse Tai Hui, estrategista-chefe de mercados para a Ásia-Pacífico da J.P. Morgan Asset Management.

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Primeiro teste dos mercados em 2026

As ações dos EUA e globais começaram rapidamente o novo ano depois de encerrarem 2025 perto de máximas históricas, após registrarem ganhos de dois dígitos em um ano turbulento dominado por guerras tarifárias, política de bancos centrais e tensões geopolíticas latentes.

O impacto imediato deve ser visto no setor de defesa, já que os países devem continuar elevando os gastos militares diante da disposição de Trump de usar a força militar dos EUA como parte de sua agenda política mais ampla. Ao mesmo tempo, a maior incerteza em torno das políticas dos EUA deve pesar sobre o dólar e seu status de ativo de refúgio, segundo analistas.

O dólar americano se fortalece um pouco nesta segunda-feira, mas vem de seu pior ano desde 2017, tendo caído mais de 9% frente às principais moedas em 2025.

Para os investidores, as ações de Trump na Venezuela também levantaram questões desconfortáveis sobre as implicações para a postura da China em relação a Taiwan e se Washington poderia pressionar de forma mais agressiva por uma mudança de regime no Irã.

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No entanto, Li Fang-kuo, presidente da unidade de assessoria de investimentos em ações do conglomerado alimentício taiwanês Uni-President, disse que os investidores não estão preocupados com a possibilidade de a China atacar Taiwan. “Sim, a China realizou exercícios militares em torno de Taiwan, mas não vimos nada parecido com os meses de escalada que vimos por parte dos EUA (contra a Venezuela)”.

De fato, alguns analistas dizem que os investidores têm se acostumado cada vez mais às diversas apostas de política externa e militar de Trump.

Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo, afirmou que a ação dos EUA na Venezuela é mais uma bomba geopolítica do que um choque do petróleo por enquanto, observando que, a menos que ameace a cadeia de suprimentos mais ampla, os investidores tendem a voltar o foco para juros, lucros e posicionamento.

“Estamos em um regime em que a geopolítica se tornou uma característica persistente, não uma surpresa”.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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