Aprovação da compra da Vital e entrada no Ibovespa: os ‘sonhos próximos’ da Orizon (ORVR3), segundo o CEO
A Orizon (ORVR3) estreou na bolsa em 2021 e hoje ainda é uma small cap – mas não por muito tempo, na visão do CEO, Milton Pilão. A expectativa, segundo ele, é que a junção de seus negócios com os da Vital, anunciada em dezembro de 2025, seja concretizada ainda no terceiro trimestre de 2026 e que, em até um ano, a ação ORVR3 consiga entrar no Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira.
“É um sonho próximo”, disse Pilão, em entrevista ao Money Minds, programa em vídeo do Money Times publicado na noite desta quinta-feira (5). Você confere a íntegra do programa acima ou aqui.
O modelo de negócios foi inspirado em gigantes norte-americanas, como Waste Management, avaliadas em dezenas de bilhões de dólares.
Atualmente, ORVR3 faz parte do índice Small Caps, composto por empresas com menor capitalização e menos liquidez. O objetivo da empresa é chegar ao Ibovespa, cuja composição é reavaliada a cada quatro meses para reunir as empresas mais importantes do mercado de capitais brasileiro. Esta mudança atrairia o interesse de mais investidores e traria mais liquidez para o papel.
“O investidor pode esperar essa mudança de liga”, afirmou Pilão.
Junção com um ‘animal gigante’
O salto de patamar pretendido por Pilão está ancorado no que ele define como a “incorporação de um animal gigante”.
Com a Vital, empresa do portfólio da família Queiroz Galvão, a Orizon expandirá sua operação de 18 para 30 ecoparques (aterros com usina de biogás e tratamento dos resíduos) e passa a atuar em áreas que são consideradas complementares às atuais – como Belo Horizonte, São Luís do Maranhão e São Paulo, a maior concessão da América Latina.
E o ganho vai além da escala. A aquisição adiciona ao portfólio da Orizon a expertise em gestão integrada e coleta, áreas em que ela ainda não atuava. Isso posiciona a companhia para o novo ciclo de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões de 20 a 30 anos estruturadas por BNDES e Caixa.
“Agora a gente cresce do destino [do lixo] para a frente e também do destino para trás”, destacou o executivo.
Como fica a governança
Na nova configuração, os controladores da Orizon, acionistas de referência e a gestora EbCapital, ficam com 30,4% da empresa, enquanto os controladores da Vital terão 30%. Já as ações restantes ficam no free float.
O conselho de administração deve ser composto por 11 membros, sendo quatro indicados pelos atuais acionistas de referência da OrizonVR (incluindo Pilão), quatro indicados pelo controlador das Sociedades Vital (incluindo o vice-presidente) e três independentes.
Pilão tranquiliza o mercado sobre a nova estrutura acionária após a fusão com a Vital. Mesmo com a família Queiroz Galvão detendo cerca de 30% da nova companhia, a Orizon manterá o voto de Minerva em temas cruciais, como a eleição do CEO, da diretoria e a definição do plano de negócios.
O biogás e os créditos de carbono
O modelo de negócio da Orizon foi inspirado na americana Waste Management, mas passou por uma “tropicalização” para se adaptar à realidade brasileira, onde o gás natural é caro e importado, conta o executivo. Diferentemente dos EUA, onde há fortes incentivos governamentais, a brasileira foca em contratos diretos com indústrias, vendendo biometano em real corrigido pelo IPCA.
A operação da empresa foca em transformar passivos ambientais em ativos econômicos, capturando o metano que seria emitido na atmosfera para transformá-lo em energia, biometano ou crédito de carbono. Ao deter a propriedade dos aterros, a Orizon garante a matéria-prima necessária para justificar investimentos em tecnologia (capex).
No campo do ESG, a companhia já opera com resultados concretos, vendendo créditos de carbono para gigantes como Google, Netflix e Volkswagen no mercado voluntário.
Contudo, um gatilho de valor importante está no radar: a regulação do mercado de carbono no Brasil, que poderia elevar o preço da tonelada de aproximadamente US$ 7 para algo entre US$ 15 e US$ 20.
Segundo o CEO, o metano também tornou-se prioridade global na agenda climática da ONU para a próxima década, o que coloca a Orizon em uma posição estratégica privilegiada.
Não é mágica
Milton Pilão destaca que o Brasil enfrenta uma situação catastrófica no setor de resíduos, mantendo ainda 2.000 lixões a céu aberto e 30 milhões de toneladas de lixo sem tratamento adequado.
Ele aponta que a “verdade incômoda” é que a população muitas vezes acredita que o lixo desaparece por mágica, ignorando os graves impactos na saúde pública, como doenças respiratórias e a contaminação de lençóis freáticos pelo chorume.
Segundo ele, a Orizon busca elevar a conscientização da sociedade para que o tratamento correto seja cobrado dos gestores públicos como uma questão vital de saneamento.