Internacional

Argentina: Possível manipulação dos dados de inflação gera renúncia do chefe do IBGE do país; entenda

06 fev 2026, 14:03 - atualizado em 06 fev 2026, 14:03
argentina recessão econômica com perda de poder de compra
(Imagem: REUTERS/ Tomas Cuesta)

Os dados da inflação na Argentina se tornaram um ponto de conflito político após a renúncia abrupta, nesta semana, do chefe da agência nacional de estatísticas (Indec, equivalente ao IBGE no país), que expôs tensões no cerne da estratégia econômica do presidente Javier Milei. 

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O ministro da Economia, Luis Caputo, reconheceu que a saída do chefe do Indec, Marco Lavagna, resultou de uma divergência sobre a decisão do governo Milei de adiar uma atualização da metodologia utilizada para calcular a inflação — uma medida delicada em um país marcado por escândalos de manipulação de dados no passado. 

A Argentina foi já havia sido repreendida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2013 por subnotificar seus números. 

Voltando alguns passos, o Indec usa uma metodologia atual de medição da inflação baseada em uma cesta de consumo de 2004 — que inclui, por exemplo, gastos com aluguel de fitas cassete (ou VHS), mas não leva em conta as despesas com streamings. 

Assim, o Indec havia reformulado a metodologia, que passaria a valer para os dados de janeiro deste ano.  

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Caputo declarou a uma estação de rádio local que a visão de Milei era a de não implementar a mudança “até que o processo de desinflação esteja consolidado”, sem fornecer um novo cronograma.  

Cinco fontes de mercado disseram à Reuters que a fórmula atualizada provavelmente teria mostrado uma taxa de inflação superior à efetivamente divulgada. Em outras palavras, o índice de preços seria pior do que o publicado pelo Indec.  

O Ministério da Economia da Argentina recusou-se a comentar. Vale lembrar que Milei prometeu reduzir a inflação mensal para menos de 1% até agosto. 

Histórico de interferência na inflação da Argentina 

A credibilidade dos dados oficiais de inflação da Argentina foi abalada durante o governo peronista de esquerda do ex-presidente Néstor Kirchner e de sua esposa, a ex-presidente Cristina Kirchner, quando as autoridades foram acusadas de subestima sistematicamente o crescimento dos preços. 

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A controvérsia começou em 2007, depois que Néstor Kirchner substituiu a equipe do Indec. Nos anos seguintes, os índices oficiais de inflação frequentemente ficavam abaixo da metade das estimativas de economistas do setor privado. Isso significava que a Argentina estava pagando menos juros em títulos indexados à inflação. 

Os dados distorcidos afastaram os investidores estrangeiros e complicaram o retorno da Argentina aos mercados de crédito internacionais após o calote de 2001. 

“Os investidores não só perderam a noção do que estava acontecendo na Argentina, como também foram enganados”, disse Aldo Abram, do think tank local Fundação Liberdade e Progresso. 

Atualmente, os números da inflação divulgados pelo governo geralmente coincidem com as previsões de economistas independentes. 

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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