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As 570 bilhões de razões para Boris Johnson tentar um acordo com a UE

18/02/2020 - 13:43
Boris Johnson
Confira alguns dos números que ditarão as prioridades do Reino Unido nos próximos meses (Imagem: Facebook)

O Brexit despedaçou 50 anos de política comercial no Reino Unido, separando o país de seu maior mercado único. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson agora tenta colar as peças novamente.

Desde que o Reino Unido deixou a União Europeia em 31 de janeiro, Johnson enviou seu secretário de Relações Exteriores para um tour na Austrália e Japão para mostrar que o país está aberto para negociar, enquanto seu governo promove a ideia de um acordo comercial com os Estados Unidos.

Mas há um mercado que importa mais do que qualquer outro: o da União Europeia. O bloco é, de longe, o maior destino comercial do Reino Unido, e representou 436 bilhões de libras (US$ 570 bilhões) em comércio no ano passado – quase 50% do comércio total de mercadorias no país.

Confira alguns dos números que ditarão as prioridades do Reino Unido nos próximos meses.

Hierarquia

Os Estados Unidos são o maior parceiro comercial individual do Reino Unido, com a Alemanha logo atrás. Isso explica a prioridade de Johnson de fechar rapidamente um acordo com o governo Donald Trump.

Mas a UE como um todo continua sendo, de longe, o maior bloco com o qual o Reino Unido negocia, mesmo que a participação das exportações do país para a UE tenha caído ao longo do tempo.

No entanto, Bruxelas não tem pressa em conceder ao Reino Unido acesso ao seu mercado, a menos que Johnson concorde em cumprir suas regras.

Se o primeiro-ministro não conseguir chegar a um acordo com o bloco até o fim do ano, o Reino Unido sairá da UE no que seria muito parecido com um Brexit sem acordo. Por isso o interesse de Johnson em fazer acordos adicionais com outros países.

Vizinhos

O volume de comércio não é a única razão para o Reino Unido priorizar um acordo com a UE. Segundo a teoria da gravidade comercial, o nível de comércio entre dois países é proporcional ao seu tamanho e proximidade.

É logisticamente mais fácil comprar e vender com seus vizinhos – um ponto que, no final das contas, não convenceu eleitores britânicos sobre o mérito de permanecer no bloco.

Negociações

Para o governo do Reino Unido, forjar acordos com EUA, Japão, Austrália e Nova Zelândia é um objetivo fundamental. A ideia é que os laços históricos do governo britânico com esses países facilitem acordos, mas, considerando o volume de comércio bilateral, Nova Zelândia e Austrália ficariam muito atrás da China e da Índia.

Dividendo

Mas o acordo crucial permanece sendo o da própria UE. Análise da Bloomberg Economics com um modelo de gravidade sugere que os benefícios desse acordo compensariam apenas cerca de metade do custo de saída da UE.

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Amigos para sempre

Um desafio de sair da UE é que qualquer acordo comercial que o bloco tenha fechado não será mais aplicado ao Reino Unido quando o período de transição terminar em 31 de dezembro.

Até agora, o Reino Unido estendeu acordos com 48 países, que respondem por quase 48 bilhões de libras em comércio. Ainda estão em andamento acordos vinculados a mais 33,5 bilhões de libras de comércio de mercadorias.

Última atualização por Vitória Fernandes - 18/02/2020 - 13:43