As melhores e piores do agronegócio: Itaú BBA lista ações para navegar em um ano de demanda fraca entre investidores
O investidor está pouco otimista com o momento de “vacas magras” do já conhecido ciclo de altas e baixas do agronegócio. A demanda fraca dos investidores para o setor se dá em grande parte pelo consenso de que 2026 será um ano de excesso de oferta de grãos e preços pressionados.
Neste cenário, os analistas do Itaú BBA — Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama — se reuniram com a equipe de Consultoria em Agronegócio do banco, representada por Cesar Castro e Francisco Queiroz, para discutir o cenário global e doméstico de grãos e proteínas, além das perspectivas para as ações do setor.
Neste contexto de preços mais baixos das commodities, a 3tentos se destaca como o nome preferido entre investidores institucionais e permanece como top pick, beneficiada por um modelo operacional mais diversificado, que reduz a exposição direta à volatilidade da soja.
“Parte dos investidores parece subalocada em commodities, o que pode tornar operadores de alta qualidade (como a SLC Agrícola) uma opção interessante de hedge de portfólio caso o mercado acionário brasileiro enfrente um cenário menos otimista rumo a 2026”, explicam.
Segundo o Itaú BBA, SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3) enfrentam um ambiente de preços mais baixos por mais tempo, mas podem se beneficiar de oportunidades de rotação de terras, à medida que produtores mais alavancados enfrentam restrições de liquidez.
No caso das companhias de insumos agrícolas, como Vittia (VITT3) e Boa Safra (SOJA3), elas podem enfrentar mais um ano de pressão sobre preços e possível deterioração do mix de produtos, em função da compressão das margens dos produtores.
A visão do Itaú BBA para os frigoríficos
A demanda por empresas de proteínas também segue contida, refletindo a ausência de gatilhos microeconômicos claros para uma reprecificação. Com esse cenário, o BBA vê a Minerva como beneficiária do déficit global de oferta, embora as negociações com a China sejam cruciais no médio prazo.
No curto prazo, a MBRF e JBS devem manter desempenho sólido no curto prazo, sustentadas por custos favoráveis de ração e spreads elevados.
“Para o segundo semestre de 2026, mantemos uma postura mais cautelosa, quando gargalos de oferta podem se normalizar e novas capacidades pressionar margens. No caso da JBS, o foco do mercado está mais no timing de inclusão em índices norte-americanos, com potencial de entrada de fluxo passivo”, explicam.
Veja as recomendações do Itaú BBA
| Empresa | Ticker | Recomendação | Preço-alvo |
|---|---|---|---|
| 3tentos | TTEN3 | Outperform (compra) | R$ 20 |
| Minerva | BEEF3 | Outperform (compra) | R$ 9 |
| JBS | JBSS32 | Outperform (compra) | R$ 20 |
| SLC Agrícola | SLCE3 | Outperform (compra) | R$ 23 |
| MBRF | MBRF3 | Market perform (neutro) | R$ 29 |
| BrasilAgro | AGRO3 | Market perform (neutro) | R$ 24 |
| Boa Safra | SOJA3 | Market perform (neutro) | R$ 10 |
| Vittia | VITT3 | Outperform (compra) | R$ 7 |