Aumento de casos de doença potencialmente fatal leva a alerta sobre ‘canetas emagrecedoras’
A popularidade das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, cresceu rapidamente nos últimos anos, com milhões de pessoas recorrendo às injeções para emagrecer ou controlar o diabetes tipo 2.
No Reino Unido, cerca de 1,6 milhão de pessoas usaram injeções para perda de peso em 2024, segundo a pesquisa mais recente da University College London.
Mas a Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency (MHRA), agência reguladora de medicamentos do Reino Unido, emitiu um alerta: há registros suficientes de pancreatite grave e até de mortes em pessoas que utilizaram esses medicamentos, o que levou as autoridades a divulgarem um aviso público de segurança.
O que é a pancreatite e por que ela preocupa
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode causar dor intensa e, em alguns casos, ser fatal. Nas formas mais graves, a inflamação pode evoluir para necrose do tecido, falência de órgãos e morte.
Os sintomas mais comuns incluem dor abdominal forte, que pode irradiar para as costas, além de náuseas e vômitos — sinais que exigem atendimento médico imediato.
De acordo com dados reunidos pela MHRA, órgão equivalente à Anvisa no Brasil, ao longo dos últimos anos:
- Entre 2007 e outubro de 2025, a agência recebeu cerca de 1,3 mil notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos.
- Nesse total, foram registrados 19 óbitos e 24 casos de pancreatite necrosante, a forma mais severa da doença, em que parte do tecido pancreático morre.
No mesmo período, aproximadamente 25 milhões de embalagens desses medicamentos foram distribuídas no Reino Unido.
O que diz o alerta sobre as canetas emagrecedoras
Um ponto central é que ainda não existe evidência científica definitiva de que esses medicamentos causem pancreatite. O que se observa são relatos em número suficiente para gerar preocupação e justificar um acompanhamento mais rigoroso.
Os medicamentos citados, como Wegovy e Mounjaro, atuam como agonistas do receptor GLP-1, interferindo em hormônios relacionados ao apetite e ao controle da glicose. Eles são amplamente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e, em doses mais altas, da obesidade.
O alerta surge porque o pâncreas é um órgão sensível, e inflamações podem evoluir rapidamente. Quando esses quadros aparecem em frequência acima do esperado entre usuários de um mesmo medicamento, as autoridades de saúde precisam investigar.
Ainda assim, tanto a MHRA quanto fabricantes como Novo Nordisk e Eli Lilly reforçam que os medicamentos continuam sendo considerados seguros quando usados com prescrição médica e acompanhamento adequado, e que, para a maioria dos pacientes, os benefícios superam os riscos.
A diretora de segurança da MHRA, Dra. Alison Cave, afirmou que “a segurança do paciente é a principal prioridade da MHRA, e monitoramos continuamente a segurança e a eficácia de todos os medicamentos licenciados”.
O que a agência recomenda
Pacientes que utilizam esses medicamentos devem buscar atendimento médico imediato caso apresentem sintomas como dor abdominal intensa, náuseas persistentes ou vômitos.
Profissionais de saúde devem acompanhar de perto qualquer sinal que possa indicar inflamação do pâncreas.
“O risco de desenvolver esses efeitos colaterais graves é muito pequeno, mas é importante que pacientes e profissionais de saúde estejam informados e atentos aos sintomas associados.”