Auren (AURE3): Por que o Safra cortou a recomendação e reduziu o preço-alvo em 18%
O Safra rebaixou a recomendação para as ações da Auren (AURE3) de outperform – que equivale a compra – para neutro, diante de uma perspectiva mais difícil para a companhia. O banco também reduziu o preço-alvo de R$ 14,10 para R$ 11,50, o que representa um potencial de valorização de 9% em relação ao preço de R$ 10,54 considerado na análise.
As ações da companhia recuavam nesta quarta-feira (12) e figuravam entre as principais quedas do dia no Ibovespa. Por volta das 11h, os papeis caiam 1,90%, a R$ 10,30.
Segundo o relatório, a revisão ocorre após os resultados do primeiro semestre de 2026 ficarem abaixo das expectativas e em meio a um cenário macroeconômico menos favorável.
O Safra destaca principalmente o impacto dos juros elevados sobre o fluxo de caixa da Auren, que possui elevada alavancagem. A estimativa do banco é de dívida líquida equivalente a 5,3 vezes o Ebitda ao final de 2026.
Além dos juros, a Auren enfrenta margens menores na comercialização de energia, impacto elevado do curtailment (redução da geração de energia, mesmo com capacidade de produzir) e um GSF (indicador que mede quanto as hidrelétricas conseguem gerar frente ao que foi planejado) ainda persistentemente baixo, em um ambiente de volatilidade nos preços de energia.
Para o Safra, a combinação desses fatores deve continuar pressionando os resultados e dificultando a recuperação da geração de caixa.
O banco também reduziu suas estimativas para a companhia. O Ebitda projetado para o período entre 2026 e 2028 foi cortado em 5%, em média, após a incorporação dos resultados do primeiro e segundo trimestres, de novas projeções macroeconômicas, de preços de energia mais baixos e de uma visão mais conservadora sobre os desembolsos relacionados ao curtailment.
Auren ainda precisa destravar caixa
Apesar da avaliação mais cautelosa, o Safra afirma que a Auren tem condições de melhorar sua posição de caixa e atravessar o cenário macroeconômico adverso. Para isso, porém, alguns eventos precisam se concretizar.
Entre eles estão a conclusão do projeto Cajuína III, prevista para 2026, e o recebimento de aproximadamente R$ 300 milhões relacionados a disputas anteriores de curtailment. Na avaliação do banco, esses recursos podem ajudar a aliviar a pressão sobre o caixa nos próximos meses.
Por outro lado, a companhia ainda deve enfrentar dificuldades para gerar caixa em 2027. O Safra estima que as posições vendidas da Auren relacionadas à exposição ao balanço energético devem continuar pressionando os resultados, o que pode atrasar o processo de desalavancagem.
Outro ponto de atenção são as provisões relacionadas ao curtailment, que somavam cerca de R$ 1,9 bilhão no segundo trimestre. O relatório aponta incertezas sobre os termos e o cronograma de pagamento desses valores.
Lucro também é revisado para baixo
A deterioração das perspectivas aparece nas projeções financeiras do Safra. Para 2026, o banco passou a estimar prejuízo líquido de R$ 1,19 bilhão, contra uma previsão anterior de perda de R$ 413 milhões.
Para 2027, a projeção de lucro líquido foi reduzida de R$ 427 milhões para R$ 139 milhões. Já para 2028, o Safra agora estima lucro de R$ 585 milhões, ante R$ 934 milhões anteriormente.
O banco também vê pouco espaço para dividendos no curto prazo, outro fator que reduz a atratividade da tese de investimento.
O que pode mudar a visão sobre Auren
Para o Safra, uma eventual reprecificação positiva das ações depende da companhia conseguir superar alguns desses obstáculos. O recebimento das indenizações e dos valores relacionados ao curtailment, a conclusão de Cajuína III e a melhora da geração de caixa são alguns dos marcos que podem ajudar nesse processo.
O banco já considera em seu modelo o recebimento de cerca de R$ 1,2 bilhão em valor presente líquido de indenizações relacionadas a ativos hidrelétricos da Cesp, além de R$ 312 milhões referentes ao reembolso de disputas anteriores de curtailment.
Ainda assim, o Safra calcula uma TIR de aproximadamente 9,9% para AURE3, abaixo da média de cerca de 12,5% do setor. Com isso, a avaliação é de que o potencial de valorização atual não é suficiente para compensar os riscos envolvidos na tese.