Antiga Eletrobras, Axia Energia (AXIA3) propõe distribuição bilionária e reacende plano de migração ao Novo Mercado
A Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, anunciou, nesta sexta-feira (28), que retomou os estudos e as análises para uma possível migração ao Novo Mercado da B3, segmento da bolsa de valores que reúne empresas comprometidas com padrões elevados de governança corporativa.
De acordo com a companhia, o potencial movimento está conectado às propostas que serão avaliadas na assembleia geral extraordinária (AGE) marcada para o próximo dia 19 de dezembro.
No comunicado enviado ao mercado, a administração também detalhou a intenção de capitalizar parte da reserva de lucros – que somava R$ 39,9 bilhões no 3T25 — por meio da emissão de uma nova classe de ações preferenciais, chamadas PNC.
Essa operação prevê bonificações aos acionistas e, segundo a Axia Energia, mantém alinhamento às exigências do Novo Mercado.
Os papéis PNC terão direito a voto — modelo conhecido como one share, one vote — e caráter temporário, com previsão de resgate ou conversão em ações ordinárias até 2031.
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Tributação de dividendos
O movimento foi visto por analistas como uma resposta à tributação de dividendos a partir de 2026, contida na reforma do Imposto de Renda.
Dividendos que forem declarados ainda neste ano estão isentos da taxação, o que tem levado as empresas a estudarem a viabilidade de anúncios de novas distribuições aos acionistas.
A Axia já anunciou dividendos recordes para 2025, no valor total de R$ 8,3 bilhões, depois de finalizar uma reestruturação interna desde 2022, e diante de uma perspectiva de mercado mais favorável para preços de energia.
Agora, busca aproveitar sua reserva de lucros, que é historicamente alta porque a empresa registrava resultados contábeis positivos antes da privatização, mas não gerava caixa.
“Na prática, a Axia está convertendo um grande saldo de lucros retidos em um instrumento de longo prazo, resgatável de forma opcional, cuja monetização pode ser administrada de maneira mais eficiente do ponto de vista tributário”, escreveu o analista João Pimentel, do Citi.
*Com informações da Reuters