Azul (AZUL3) e American Airlines defendem parceria no Cade e alegam ganhos para consumidores; entenda
A Azul (AZUL3) e a American Airlines ainda enfrentam um processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a parceria entre elas. No movimento mais recente, as aéreas se apoiaram em um parecer econômico para afastar as preocupações concorrenciais sobre a operação e defender os benefícios aos consumidores.
Com base em análises econômicas e dados de mercado, o documento “Análise dos incentivos econômicos associados à participação minoritária da American Airlines na Azul S.A.” afirma que a sobreposição de rotas é limitada e os potenciais ganhos de internalização para a American Airlines por meio de uma diminuição da concorrência seriam marginalmente irrelevantes.
Ainda, aponta a operação como pró-competitiva, contribuindo para a saúde financeira da Azul e fortalecendo a conectividade da rede aérea, especialmente pela ampla malha doméstica da empresa.
“A operação possui potencial para preservar capacidade operacional, ampliar conectividade doméstico-internacional, fortalecer uma companhia aérea nacional com elevada presença regional e reforçar a capacidade competitiva da American Airlines e da Azul em um setor marcado por fortes economias de rede e crescente competição entre grupos globais”, diz o documento.
O documento cita ainda o caso da Latam e Delta Airlines, sob o argumento de que a Latam teve uma trajetória de fortalecimento financeiro e expansão competitiva após passar por sua reestruturação e consolidação da parceria com a Delta.
“Conforme demonstrado anteriormente, a sobreposição horizontal entre American Airlines e Azul nas rotas Brasil–EUA é limitada, concentrando-se em poucos mercados potencialmente substituíveis e ainda assim sujeitos à pressão competitiva de múltiplos operadores relevantes”, diz o parecer, buscando defender a não sobreposição de rotas.
“As análises baseadas em dados ANAC e MIDT mostram que mercados como São Paulo–Miami e São Paulo–New York/New Jersey permanecem caracterizados por rivalidade efetiva entre diferentes redes internacionais, incluindo Latam, Delta Airlines, Copa Airlines, Avianca e United Airlines”, diz.
Aportes na Azul
No processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11) da Azul, a American e United Airlines firmaram um aporte de U$ 100 milhões cada uma na aérea brasileira.
A United já era acionista da Azul e já teve o aval do Cade para o aporte. No entanto, o caso da American ainda está sob avaliação da Superintendência do órgão antitruste.
O aporte da United e American Airlines dará a cada uma delas uma participação de cerca de 8% na companhia.
A Azul tem um codeshare há mais de 12 anos com a United Airlines e existe um acordo para expandir isso para a American, como um movimento natural tendo em vista que participarão da base acionária, segundo falas do CEO da Azul, John Rodgerson, à época do anúncio da saída do Chapter 11.
No início deste mês, a Abra, controladora da Gol, o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Inovação (IBCI) e o Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) pediram que o Cade reconsidere seus pedidos de habilitação como terceiros interessados na operação envolvendo a Azul e a American Airlines.
O pedido de participação dos três na operação foi negado pelo superintendente-geral (SG) do Cade, Alexandre Barreto, há pouco mais de 10 dias. Se a SG indeferir o pedido novamente, as três peticionárias ainda poderão recorrer ao tribunal.
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