Balanço da SpaceX: O que esperar dos resultados da empresa de foguetes de Elon Musk?
A SpaceX (SPCX) publicará os resultados referentes ao terceiro trimestre nesta terça-feira (20), após o fechamento do mercado. Contanto com ele, será apenas o segundo balanço da companhia desde que abriu capital em 12 de junho deste ano.
A divulgação ocorre em um momento de recuperação das ações nas últimas semanas. Após recuarem quase 30% nas primeiras semanas como empresa de capital aberto, depois de estrearem na bolsa a US$ 150, as ações da SpaceX se recuperaram no terceiro trimestre — e agora são negociadas próximas ao preço do IPO.
Com isso, o consenso da Bloomberg para o terceiro trimestre é de que a SpaceX reporte uma receita de US$ 12,7 bilhões, acima dos US$ 7,8 bilhões registrados no 2T26. A previsão é de lucro por ação (EPS) ajustado de US$ 0,15 e Ebitda (métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa) ajustado de US$ 6,59 bilhões.
Um dos principais pontos de atenção nos resultados trimestrais da SpaceX é o desempenho de sua unidade de inteligência artificial (IA), agora chamada SpaceXSI.
No trimestre passado, a divisão registrou prejuízo operacional de US$ 1,26 bilhão, abaixo das estimativas de US$ 2,39 bilhões.
SpaceX e a Inteligência Artificial
Enquanto isso, os gastos com IA dispararam para US$ 15,8 bilhões no período, superando as expectativas e ficando muito acima dos US$ 7,7 bilhões desembolsados no primeiro trimestre.
A preocupação é que os gastos com IA continuem aumentando à medida que a SpaceX mantém os investimentos em centros de dados, como o Colossus, e em produtos de inteligência artificial, como o Grok e seu agente, o Grok Bot.
Outra questão é se a companhia conseguirá garantir o financiamento necessário para sustentar os investimentos em infraestrutura.
O primeiro balanço da empresa de foguetes
A SpaceX apresentou um primeiro balanço pós-IPO acima das expectativas do mercado, com receita de US$ 7,8 bilhões no segundo trimestre, alta de 92% em relação ao trimestre anterior, e Ebitda de US$ 3,5 bilhões, bem acima das projeções de Wall Street.
Apesar da melhora operacional, a companhia ainda registrou prejuízo líquido de US$ 541 milhões, embora significativamente menor do que a perda de US$ 1 bilhão registrada anteriormente.
O principal destaque positivo continuou sendo a Starlink, que atingiu 12 milhões de assinantes, dobrando sua base em um ano. O serviço de internet via satélite segue como o principal gerador de receita e lucro da empresa, sustentando o forte crescimento dos resultados.
Por outro lado, a expansão internacional pressiona a rentabilidade do negócio, com a receita média por usuário (ARPU) caindo para US$ 66, ante US$ 85 um ano antes.
Já o principal ponto de atenção dos investidores permanece sendo os elevados investimentos em inteligência artificial. A divisão de IA registrou prejuízo operacional de US$ 1,26 bilhão, enquanto os aportes em infraestrutura somaram US$ 15,8 bilhões no trimestre.
Após a fusão com a xAI, a companhia aposta na construção de uma infraestrutura de computação avançada, incluindo futuros data centers em órbita. O caixa foi reforçado para US$ 93,5 bilhões graças ao IPO, mas o mercado ainda questiona se os pesados investimentos em IA serão capazes de gerar retorno suficiente no longo prazo.