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Banco Central Europeu tem várias opções na mesa para enfrentar rali do euro

09/09/2020 - 8:45
O salto de 10% da moeda desde que as paralisações causadas pelo coronavírus começaram em março dificulta o trabalho da presidente do BCE, Christine Lagarde, ao pressionar a inflação para baixo (Imagem: REUTERS/Kai Pfaffenbach)

O rali do euro para a maior cotação em dois anos preocupa autoridades do Banco Central Europeu e cria a expectativa entre investidores e economistas de algum tipo de intervenção já na reunião de política monetária de quinta-feira.

O salto de 10% da moeda desde que as paralisações causadas pelo coronavírus começaram em março dificulta o trabalho da presidente do BCE, Christine Lagarde, ao pressionar a inflação para baixo. A valorização cambial, combinada com sinais de que a recuperação econômica está desacelerando, reforça o argumento para mais estímulos monetários.

Tal medida parece improvável durante a reunião de política monetária do Conselho do BCE nesta semana, mas Lagarde e outras autoridades da instituição podem decidir começar a lançar as bases caso precisem agir. Confira algumas opções:

Intervenção verbal

Embora o BCE diga repetidamente que não visa o controle da taxa de câmbio, as autoridades de política monetária sabem que suas palavras podem ter efeito.

Depois que o euro ultrapassou US$ 1,20 na semana passada, o economista-chefe do BCE, Philip Lane, rebateu dizendo que o câmbio “importa” para a política monetária.

A moeda única caiu por seis dias consecutivos até a terça-feira, abaixo de US$ 1,18, embora o modelo de precificação de opções da Bloomberg aponte para uma maior probabilidade de que o euro será negociado acima de US$ 1,22 nos próximos três meses do que abaixo de US$ 1,14.

BCE Banco Central Europeu
Embora o BCE diga repetidamente que não visa o controle da taxa de câmbio, as autoridades de política monetária sabem que suas palavras podem ter efeito (Imagem: Unsplash/@maurosbicego)

Economistas de bancos como Barclays, Goldman Sachs e JPMorgan Chase dizem que Lagarde pode seguir a estratégia de Lane após a reunião de quinta-feira. Seu antecessor, Mario Draghi, fez múltiplas intervenções verbais.

Mais afrouxamento

Lagarde pode até sugerir o que o BCE faria. Ela pode vincular o impacto da moeda sobre a inflação à possibilidade de acelerar o ritmo do programa de compra de títulos de emergência de 1,35 trilhão de euros (US$ 1,6 trilhão), diz Gilles Moec, economista-chefe da Axa. Outra opção seria observar o potencial para o corte da taxa de juros.

“Aumentam as chances de que Lagarde sinalize um corte dos juros como opção de política já nesta semana”, disse Frederik Ducrozet, estrategista da Pictet & Cie.

Corte da taxa de depósito

Nenhum economista espera juros mais baixos na quinta-feira, mas, nesta semana, operadores do mercado monetário precificaram um corte de 10 pontos-base na taxa de depósito para 0,6% negativo em setembro do próximo ano. Há dois meses, o mercado não previa tal passo pelo menos até 2022.

Peter Chatwell, chefe de estratégia de multiativos no Mizuho International, espera a medida até o segundo trimestre de 2021.

“Até lá, o euro terá ultrapassado US$ 1,30”, projeta. “A perda de competitividade das exportações e a dinâmica desinflacionária irão justificar isso.”

Evitar uma guerra cambial

O que quer que os formuladores de política façam, terão o cuidado de descrever suas ações em termos de perspectivas para a inflação, ao invés da taxa de câmbio.

As maiores economias há muito tempo concordaram em não permitir desvalorizações competitivas, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, frequentemente acusa o BCE de manter o euro artificialmente baixo para ajudar exportadores.

“Não poderia focar nenhuma ação na moeda”, disse Christoph Rieger, chefe de estratégia de taxa fixa do Commerzbank. “Isso desencadearia imediatamente uma reação do governo dos EUA e arriscaria uma guerra cambial.”

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Última atualização por Rafael Borges - 09/09/2020 - 8:45