Banco Central mantém viés de corte de juros mesmo com IPCA mais alto, segundo Empiricus Research
A semana no mercado financeiro começa com tensão após o fracasso do acordo de paz entre os Estados Unidos e Irã. Nesta manhã, o dólar e o juros futuros avançavam em meio à alta do petróleo.
No Giro do Mercado, a jornalista Giovana Leal recebe Laís Costa, analista da Empiricus Research para comentar os principais destaques do dia.
Os economistas revisaram para cima as expectativas de inflação (IPCA). Segundo o Boletim Focus, a expectativa é que o IPCA feche 2026 em 4,71%, acima da meta perseguida pelo Banco Central.
“Ocorreu uma queda de percepção sobre a duração da guerra, então o mercado via uma inflação mais alta, explicada pelos efeitos do conflito, mas ela estava muito contida, principalmente neste ano. O Focus apontou que as consequências podem começar mais rápido”, explicou Costa.
De acordo com a especialista, quanto mais rápido a guerra acabar, mais fácil seria a criação de um gatilho de queda, especialmente com a expectativa de corte de juros mais baixa. “Mas sendo muito honesta, nos parece que o Banco Central tem mantido essa postura mais propensa a corte de juros, então uma possível mudança da guerra traria a expectativa de juros rapidamente mais para baixo e não traria uma apreciação tão forte da moeda”, ressaltou a especialista.
Em relação ao corte de juros, Costa ainda aposta em um corte de 25 pontos percentuais, “pois existe claramente uma propensão do Banco Central de continuar cortando juros, dado que ele tem sinalizado isso muito veementemente, apesar dos números de inflação mais elevados”.
Do lado eleitoral, a nova pesquisa do Datafolha apresentou um acirramento na disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, Flávio abre vantagem sobre o petista, com 46% de intenção de voto, comparado a 45%.
No cenário internacional, EUA e Irã não chegaram a um acordo nas negociações pelo fim da guerra. Donald Trump fez novas ameaças ao Irã e hoje de manhã começou a bloquear os portos e áreas costeiras do país.
*Com supervisão de Vitor Azevedo