Banco Central pede provisão de R$ 2,6 bilhões ao BRB após compra de carteiras do Master
O Banco Central solicitou ao Banco de Brasília (BRB) a constituição de uma provisão para cobrir perdas esperadas ou despesas futuras de R$ 2,6 bilhões.
O pedido consta em termo de comparecimento enviado ao banco no dia 7 de janeiro e deve constar no balanço relativo a 31 de dezembro.
Embora o BC não tenha detalhado os motivos, a data da reunião indica que a medida está ligada à compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras do Banco Master.
O BRB afirma ter trocado cerca de R$ 10 bilhões em ativos, mas não há informações públicas sobre a qualidade dessa nova carteira.
O colunista Lauro Jardim, de O Globo, noticiou que o BC identificou insuficiência patrimonial decorrente dessas transações.
Em nota, o BRB reforçou que trabalha em conjunto com o Banco Central e mantém compromisso com transparência, governança e cumprimento das normas do sistema financeiro.
A instituição disse que possíveis prejuízos relacionados à aquisição das carteiras do Master ainda estão em apuração pela autarquia e por auditoria independente.
Caso sejam confirmados, o banco destacou que já possui plano de capital que prevê aportes via diferentes instrumentos de recomposição.
O BRB reafirmou ainda que segue sólido, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, “operando normalmente e assegurando todos os serviços financeiros”.
O banco informou que estuda contratar uma empresa especializada para apoiar na venda dos ativos adquiridos e negocia cessão de carteira, incluindo crédito de quase R$ 1 bilhão com garantia da União.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou que a situação financeira do BRB permanece sólida. Segundo ele, o governo distrital possui mais de R$ 200 bilhões em imóveis para eventual necessidade de recursos e que as operações recentes não abalam a instituição, embora tenha afirmado não acompanhar os detalhes técnicos das transações bancárias.
Entenda o caso
Em março de 2025, o BRB fez uma proposta de compra de um pedaço do Banco Master. O processo, contudo, foi negado pelo Banco Central em setembro e, posteriormente, em novembro, o Master foi liquidado.
Desde julho de 2024, o BRB vinha comprando carteiras de crédito consignado do Master, em um montante total que chegou a R$ 16 bilhões. A maior parte dessas carteiras, contudo, cerca de R$ 12,2 bilhões, eram fraudadas, segundo investigações da Polícia Federal.
O BRB, então, passou a trocar esses ativos do Master por outros do próprio banco, mas nem toda a carteira foi substituída, conforme depoimento do ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa, revelado pelo Estadão.
Últimos resultados
O BRB registrou lucro de R$ 184,6 milhões no terceiro trimestre de 2025, queda de 34,2% em relação ao trimestre anterior, mas alta de 114,6% na comparação anual.
No acumulado dos três primeiros trimestres de 2025, o resultado foi de R$ 715 milhões, crescimento de 731,5% ante 2024.
No mesmo período, as provisões de crédito atingiram R$ 584 milhões. Caso o BRB seja obrigado a provisionar os R$ 2,6 bilhões no quarto trimestre, o banco provavelmente registrará prejuízo no período.
O índice de Basileia do BRB era de 13,91% no segundo trimestre, e o banco contava com R$ 1,483 bilhão em reservas de lucro.
*Com informações da Estadão Conteúdo