Política

Banco Master: Perícia de nova fase da Compliance Zero pode levar até seis meses

16 jan 2026, 17:31 - atualizado em 16 jan 2026, 17:31
Master
(Imagem: REUTERS/ Amanda Perobelli)

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve levar de quatro a seis meses para analisar o volume gigantesco de informações colhidas na mais recente operação envolvendo o Banco Master, disse nesta sexta-feira (16) uma fonte do órgão com conhecimento direto do caso.

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A PGR terá de fazer a análise da quebra de sigilo bancário e fiscal de 101 pessoas físicas e jurídicas — algumas delas com movimentação financeira bilionária –, além da análise do material apreendido nas buscas e apreensões dos 42 endereços autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo dezenas de celulares e computadores, afirmou a fonte à Reuters.

Como consequência, é improvável que se chegue a conclusões antes do final do primeiro semestre do ano, na melhor das hipóteses. Após essa etapa, a PGR decidirá se vai apresentar acusações criminais formais contra os envolvidos, incluindo o acionista controlador do Master, Daniel Vorcaro.

Segundo a fonte, o órgão tem estrutura técnica para realizar as perícias e análises de todo o material do caso Master, e o fará com auxílio da Polícia Federal.

No dia da operação, o relator do caso no STF, ministro Dias Toffoli, ordenou que o material fosse encaminhado para apreciação da PGR. Essa determinação foi considerada atípica porque a praxe recente tem sido que a própria PF faça essa análise e encaminhe os resultados para o Ministério Público.

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“A gente tem estrutura para fazer a análise do material, desde a extração de dados brutos até análise da movimentação financeira”, disse a fonte, exemplificando que a instituição recentemente fez a análise do material dos envolvidos — e posteriormente apresentou denúncias e outras medidas — em relação a envolvidos nos ataques do 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes.

Segundo essa fonte, apesar da determinação de Toffoli, a relação da PGR com a PF é muito boa e não há nenhuma confusão na parte operacional.

Nesta sexta, Toffoli atendeu a pedido da PF e prorrogou o inquérito sobre o Master por mais 60 dias. É comum que novas e sucessivas prorrogações, desde que justificadas, ocorram em uma investigação no Supremo.

Na véspera, segundo essa fonte da PGR e outra da PF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reuniram-se para conversar sobre questões de procedimento entre as duas instituições. “O diálogo teve como interesse comum sempre preservar a prova”, disse a fonte.

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“A conversa foi boa, houve alinhamento não só em relação ao caso Master, mas também de outras semelhantes que envolvem os dois órgãos”, reforçou a fonte da PGR, para quem foi definida uma estratégia de atuação conjunta, sempre sob supervisão do Supremo.

As fontes das duas instituições reconheceram à Reuters que o caso é sensível e que o trabalho é para tentar diminuir a tensão.

A fonte da PGR acrescentou ainda que não há no órgão discussão sobre possibilidade de se pedir ao Supremo a reversão da liquidação do Master determinada pelo Banco Central.

Segundo a fonte, o foco da investigação é criminal, apurar as eventuais fraudes que ocorreram na gestão do Master. Não se avalia desfazer uma decisão administrativa tomada pelo BC, destacou.

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Até o momento, disse a fonte, ninguém na Procuradoria-Geral da República cogitou um acordo de delação premiada, nem qualquer dos envolvidos no caso procurou o órgão para discutir essa possibilidade. Segundo a fonte, é pouco provável que isso ocorra antes da análise dos documentos e, ainda assim, uma eventual colaboração só seria aceita se trouxesse elementos novos a partir dessa avaliação.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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